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Acerto de contas. Soares da Costa reclama um milhão, Mário Ferreira dois

O Monumental Palace Hotel, na Avenida dos Aliados, está no centro de um conflito entre o promotor, Mário Ferreira, e a construtora Soares da Costa. O hotel abre antes da Páscoa de 2018

lucília monteiro

Mário Ferreira, promotor do Monumental Palace Hotel, diz que adiantou dois milhões para materiais e equipamentos que não recebeu. A Soares da Costa considera-se credora de um milhão de trabalhos a mais e quer ser indemnizada pela "rescisão ilegal"

A construtora Soares da Costa (SdC) sente-se lesada em um milhão de euros e vai contestar em tribunal a rescisão do contrato efetuada por Mário Ferreira, o promotor do Hotel Palace Hotel, na principal avenida da Baixa do Porto - os Aliados.

A decisão “é improcedente, infundada e ilegítima”, diz a SdC, que classifica a rescisão como uma manobra para esconder a responsabilidade do promotor no andamento dos trabalhos.

Mário Ferreira justificou a rescisão por incumprimentos vários, atrasos na execução e desvio das verbas (dois milhões de euros) adiantadas para materiais e equipamentos. A paciência do empresário esgotou-se após uma manifestação laboral por causa de salários em atraso na SdC – o pessoal afeto à obra teria um mês por receber (um atraso de três dias, segundo a SdC), mas há outros com 10 meses em atraso.

O dono da Douro Azul avisara a construtora, em apertos de tesouraria, que não toleraria atrasos nos salários nem queria ver o seu hotel associado a lutas sindicais.

Depois, Mário Ferreira tomou conta da obra e firmou um acordo com o Sindicato da Construção para garantir que a empreitada siga com normalidade, já a partir de segunda-feira, viabilizando a abertura do novo hotel na Páscoa de 2018.

Projetos indefinidos e contraditórios

Na carta envida à empresa do Monumental Palace Hotel, a SdC começa por repudiar “a abusiva e danosa” ocupação, uma “censurável conduta” que segue anteriores tentativas de denegrir o bom nome da construtora.

A SdC fala de “projetos indefinidos e contraditórios”, corte das fundações de construções vizinhas, a alteração global do projeto de interiores, definição tardia de quartos modelos e atrasos na aprovação de alterações ao projeto ou materiais.

A derrapagem do prazo “deve-se a factos imputáveis ao dono da obra” e não a dificuldades financeiras do empreiteiro.

Um milhão de trabalhos a mais

A construtora calcula em um milhão de euros os trabalhos a mais realizados e que não recebeu. Além disso, a rescisão “ilegal e ilícita” gera prejuízos “nunca inferiores a um milhão de euros”, que a SdC reclamará judicialmente.

Na carta, o presidente da SdC, Joaquim Fitas, recorre até ao humor. A rescisão “é um erro Monumental”.

A empreitada do Monumental Palace Hotel (14 milhões de euros) arrancou há dois anos e tinha um prazo inicial de 18 meses.

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