Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bruxelas otimista sobre crescimento económico deixa alertas à consolidação orçamental

EMMANUEL DUNAND/GETTY

Bruxelas reviu esta quinta-feira em alta as previsões económicas para Portugal. Os técnicos apontam para um crescimento significativo da economia e do emprego em 2017, graças às exportação e investimento. Já o esforço de consolidação orçamental e redução do défice estrutural está longe do pedido pelas regras

A Comissão Europeia volta a rever em alta as previsões de crescimento económico para Portugal e concorda com a previsão do Governo de 2,6% para 2017. Já para 2018 e 2019 antevê uma desaceleração, mas prevê que ainda assim "a performance económica se mantenha forte".

Para o próximo ano, Bruxelas fala num crescimento do PIB de 2,1%, ligeiramente abaixo das previsões de Mário Centeno (2,2%), mas acima dos valores das Previsões de Primavera.

Números positivos também no que diz respeito à taxa de desemprego, que deverá continuar a descer nos próximos anos, atingindo os 7,6% em 2019.

Quanto às finanças públicas, Bruxelas volta a rever em baixa o défice nominal para este ano e dá razão à previsão de 1,4% do PIB de Mário Centeno. Ainda assim, os técnicos deixam um alerta: o impacto da recapitalização da Caixa Geral de Depósitos ainda pode fazer subir este número.

Já sobre o défice de 2018, Bruxelas mantém-se mais conservadora do que o Governo e aponta para um défice de 1,4%, superior ao 1% de Mário Centeno. "O défice nominal deverá diminuir para 1,4% do PIB em 2017, nomeadamente devido à aceleração da recuperação económica, diminuição da despesa com juros e a um investimento público abaixo do orçamentado", diz ainda o documento da Comissão, que considera que excluindo as medidas temporárias (one-offs), o défice seria de 1,6%.

Bruxelas considera assim que o défice nominal desce sobretudo graças ao (bom) ciclo económico e não graças a medidas de consolidação orçamental. "O saldo estrutural deverá melhorar em 2017 apenas de forma ligeira", dizem os técnicos referindo-se a uma redução de 0,2 pontos percentuais, quando as regras falam em 0,6% do PIB.

Já para os próximos anos, os técnicos são menos otimistas no que diz respeito à redução deste parâmetro, que é importante para os países que, como Portugal, estão no braço preventivo do Pacto de Estabilidade e Crescimento. O Governo diz que vai reduzir o défice estrutural em 0,5% do PIB em 2018. Bruxelas não vê qualquer redução no horizonte temporal, o que pode levar a que na avaliação do Orçamento do Estado para 2018 aponte para riscos significativos de não cumprimento das regras.