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Portugal paga juro mais baixo de sempre a 10 anos

No leilão de dívida a 10 anos desta quarta-feira, o Tesouro português pagou uma taxa de colocação abaixo de 2%, a mais baixa da história neste prazo. Colocou €1250 milhões e pagou 1,939%, abaixo do que se registava no mercado secundário. A procura foi, no entanto, inferior à registada no leilão de outubro

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal colocou esta quarta-feira 1250 milhões de euros em dívida a 10 anos pagando a taxa mais baixa de sempre, abaixo de 2%, superando o mínimo histórico anterior, de 2,0411%, registado no leilão de 25 de fevereiro de 2015.

A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizou hoje um leilão da linha de Obrigações do Tesouro (OT) a vencer em 2027, que serve de referência a 10 anos, colocando 1250 milhões de euros, o máximo previsto, pagando uma taxa de colocação de 1,939%, abaixo daquela que se registava no mercado secundário (1,96%).

No leilão anterior, realizado em outubro, o IGCP pagou 2,327% e registou um procura 1,96 vezes superior à colocação. Hoje, a procura foi inferior, tendo ficado por 1,57 vezes a colocação.

Recorde-se que esta linha de OT que foi a leilão foi lançada em janeiro deste ano, através de uma operação de sindicação, tendo, então, o IGCP pago 4,227%. Nos leilões posteriores, o Tesouro foi pagando menos até ao recorde de hoje. Em relação à operação de janeiro, o Tesouro "poupou" no leilão desta quarta-feira cerca de 2,3 pontos percentuais no custo de financiamento a 10 anos.

BCE dá uma ajuda

A saída de Portugal do Procedimento por Défice Excessivo e, depois, a graduação da notação da dívida portuguesa para nível de investimento, saindo da situação de "lixo financeiro", decidida pela agência Standard & Poor's, contribuíram para a trajetória de descida das taxas nos leilões e das yields no mercado secundário.

A decisão do Banco Central Europeu (BCE), na reunião recente do seu conselho, a 25 de outubro, prolongando o programa de aquisição de ativos em 2018, incluindo sobretudo a compra de dívida pública no mercado secundário, deu um empurrão para baixo nos juros da dívida na zona euro no mercado secundário, indiciando os bons resultados que se obteriam nos leilões.

O BCE detinha em carteira, em final de outubro, cerca de 30,1 mil milhões de euros em obrigações portuguesas compradas ao abrigo do programa de aquisição de dívida lançado em março de 2015.

Mario Draghi, presidente do BCE, sublinhou que o banco reinvestirá na mesma "jurisdição" (no mesmo emissor) as amortizações que receber dos títulos que tem em carteira à medida que forem vencendo.

O BCE atua, assim, através de duas 'mãos', comprando mensalmente dívida nova até final de setembro de 2018, pelo menos, e reinvestindo mensalmente o valor das amortizações, mesmo para além do fecho do programa (quando for decidido).

De mais de 6% em 2011 para menos de 2% seis anos depois

Antes do resgate pela troika, o IGCP colocara dívida a 10 anos pagando, em janeiro de 2011, uma taxa média de 6,716%. Em novembro do ano anterior, pagara o máximo de 6,846%.

O Tesouro esteve fora do mercado de leilões de OT em 2012 e 2013. Quando regressou, em 2014, pagou mais de 3% nos leilões de dívida a 10 anos. Em 2015, num ano excecional, derivado do lançamento do programa de aquisição de dívida no mercado secundário pelo BCE, conseguiu taxas entre 2% e 2,5%. Em 2016, teve de pagar taxas no patamar dos 3%.

No mercado secundário da dívida, as yields no prazo a 10 anos chegaram a atingir mais de 16% em janeiro de 2012, já durante o resgate da troika, e desceram para mínimos históricos de 1,56% em março de 2015, após o lançamento do programa de compra de dívida pública pelo BCE.

  • O IGCP realiza esta quarta-feira de manhã um leilão de dívida a 10 anos onde pretende colocar entre 1000 e 1250 milhões de euros. Pode vir a pagar uma taxa abaixo de 2%, fixando um novo mínimo histórico em leilões de dívida naquele prazo de referência