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Juros da dívida descem na zona euro depois de Draghi defender taxas negativas

Grécia, Itália e Portugal são os mais beneficiados em novembro pela reafirmação pelo Banco Central Europeu da política monetária expansionista. Depois do prolongamento do programa de compras, Draghi não dá sinal de ceder na taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das obrigações dos países da zona euro acentuam a trajetória de descida no mercado secundário da dívida soberana. Os três periféricos mais beneficiados em novembro são a Grécia, Itália e Portugal no prazo de referência a 10 anos. Desde o final de outubro, os juros desceram 33 pontos base para os títulos helénicos e 13 pontos base para as obrigações italianas e portuguesas.

No caso das Obrigações do Tesouro português, naquele prazo de referência, os juros desceram de 2,06%, no final de outubro, para 1,93%, no fecho de terça-feira, um mínimo de dois anos e meio. Tomando em consideração o dia anterior ao anúncio pelo conselho do Banco Central Europeu (BCE) do prolongamento em 2018 do programa de compra de ativos, a queda foi de 37 pontos base, de 2,30% para 1,93%, entre 25 de outubro e 7 de novembro. No mesmo período, os juros de referência das obrigações alemãs caíram 15 pontos base, de 0,48% para 0,33%, o nível mais baixo desde 11 de outubro.

Efeito positivo do prolongamento do programa de compras

A atual vaga de descidas está a ser influenciada pelas decisões do conselho do BCE de 26 de outubro. A equipa de Draghi decidiu estender até setembro de 2018 o programa de aquisição de ativos, ainda que reduzindo para metade a partir de janeiro o volume mensal de compras. Em conferência de imprensa, o presidente do BCE sublinhou que, além das compras mensais, o banco vai reinvestir o valor das amortizações que receber.

Desde março de 2017, quando começaram a ocorrer amortizações de obrigações soberanas na carteira do BCE, até final de outubro do próximo ano, o volume ascenderá a mais de 124 mil milhões de euros, segundo os dados divulgados, pela primeira vez, esta semana pelo BCE. Uma média de 6 mil milhões adicionais por mês nesse período de 20 meses. Em agosto e outubro de 2018, os reinvestimentos mensais em obrigações soberanas chegam a ser superiores a 20 mil milhões de euros.

BCE não cede nas taxas negativas

Esta semana, Draghi avançou que não vai ceder em matéria de taxa negativa de remuneração de depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE. Essa taxa passou a negativa em junho de 2014, fixando-se em -0,1%, e foi agravada para -0,2% em setembro daquele ano, -0,3% em dezembro de 2015 e -0,4% em março de 2016.

“Há poucas evidências que [a taxa negativa de remuneração dos depósitos dos bancos no BCE] esteja a minar a rentabilidade” do sector bancário da zona euro, afirmou Mario Draghi na abertura de um fórum sobre supervisão bancária organizado pelo banco em Frankfurt esta semana. Para o presidente do BCE, o “impacto é neutro”, ainda que tenha admitido que “para alguns bancos os efeitos negativos possam ser maiores”.

Segundo o italiano, a política de taxas negativas “permitiu aumentar os empréstimos de maior qualidade e reduzir os riscos de crédito”, respondendo, assim, de novo, às críticas de que a política monetária do banco está a arruinar o sector bancário da área da moeda única. Draghi respondeu que os bancos supervisionados pelo BCE aumentaram a sua rentabilidade anual de 4,4% no final de 2015 para 7,1% no início de 2017. Por outro lado, o credito malparado caiu de 7,5% para 5,5% do total dos empréstimos no mesmo período.