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Análise: os dois sectores que mais puxaram pelo emprego em Portugal

Rui Duarte Silva

No espaço de um ano, entre o terceiro trimestre de 2016 e o mesmo período de 2017, a população empregada em Portugal aumentou em 141,5 mil pessoas. A fatia de leão está nos sectores da hotelaria e restauração e da indústria transformadora

O ano está a ser de recordes no turismo em Portugal, e o impacto positivo na economia estende-se ao mercado de trabalho. Os números do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados esta quarta-feira, não deixam margem para dúvidas. No espaço de um ano, entre o terceiro trimestre de 2016 e o mesmo período deste ano, a população empregada em Portugal aumentou em 141,5 mil pessoas, para 4,803 milhões de trabalhadores. Um aumento que ultrapassou até a redução do número de desempregados no mesmo período, que caiu para as 444 mil pessoas (menos 105,5 mil pessoas), sinalizando que se está a ir buscar pessoas à inatividade, à emigração (regresso de portugueses que tinham saído do país) ou entrada de imigrantes estrangeiros. E que é um pilar da redução da taxa de desemprego, que baixou para os 8,5%, quando há um ano estava nos 10,5%.

Ora, o sector do alojamento e restauração, umbilicalmente ligado ao turismo, tem o papel principal neste aumento do emprego, com mais 52,9 mil pessoas entre o terceiro trimestre do ano passado e o mesmo período deste ano. Um valor que representa 37,4% do aumento do emprego em Portugal, em termos líquidos, neste período.

foto Luís Coelho

Segue-se a indústria transformadora, com um incremento no emprego de 41,9 mil pessoas. O que significa 29,6% do aumento da população empregada no último ano. Em conjunto, estes dois sectores representam 67% - ou seja, mais de dois terços - do aumento do emprego líquido entre o terceiro trimestre de 2016 e o mesmo período deste ano.

Destaque ainda para as atividades da saúde humana e apoio social, onde o emprego aumentou em 17,6 mil pessoas, o que significa 12,4% do aumento total do emprego em termos líquidos neste período.

Em sentido inverso, os sectores da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca foram os que perderam mais emprego entre o terceiro trimestre de 2016 e o terceiro trimestre deste ano. São menos 37,3 mil pessoas empregadas nestes sectores (considerados em conjunto). Decréscimos que se estenderam às atividades de informação e de comunicação (menos 5 mil pessoas), às atividades financeiras e de seguros (redução de 3,6 mil pessoas) e às atividades de consultoria, científicas, técnicas e similares (menos 3,1 mil pessoas), embora muito menos expressivos.

Taxa de desemprego desce para 8,5%

O desemprego em Portugal prosseguiu durante o Verão a sua trajetória de descida, com a taxa de desemprego no terceiro trimestre a baixar para os 8,5%, segundo a estimativa do INE. Um valor que compara com 8,8% no trimestre anterior e com 10,5% no período homólogo, isto é, no terceiro trimestre de 2016. Esta taxa de desemprego é a mais baixa em Portugal desde o início da atual série trimestral do INE, que começa no início de 2011. E que, ao contrário dos valores mensais divulgados pelo INE, não é ajustada de sazonalidade.

A população desempregada foi estimada em 444 mil pessoas no terceiro trimestre, o que significa uma diminuição de 3,8% (menos 17,4 mil pessoas) em relação aos três meses anteriores, “prosseguindo as diminuições trimestrais observadas desde o segundo trimestre de 2016”, frisa o INE. Já em termos homólogos, a redução foi de 19,2% (menos 105,5 mil pessoas).

Quanto à população empregada, foi estimada em 4,803 milhões de pessoas, traduzindo um acréscimo trimestral de 0,9% (mais 42,6 mil pessoas). Em termos homólogos, o incremento foi de 3% (mais 141,5 mil pessoas), “prolongando a série de variações homólogas positivas observadas desde o quarto trimestre de 2013”, destaca o INE.

Olhando apenas para os desempregados há pelo menos 12 meses (desemprego de longa duração), a taxa de desemprego de longa duração também caiu, atingindo 4,9% no terceiro trimestre deste ano. Este valor compara com 5,2% nos três meses anteriores e com 6,7% no terceiro trimestre de 2016 (período homólogo). O número de desempregados de longa duração contabilizados pelo INE está agora nas 254,6 mil pessoas, baixando 6,8% em relação aos três meses anteriores (menos 18,6 mil pessoas) e 26,7% em relação ao trimestre homólogo de 2016 (menos 92,6 mil pessoas).

Quanto aos jovens entre os 15 e os 24 anos, a taxa de desemprego no terceiro trimestre atingiu 24,2%, abaixo dos 26,1% registados um ano antes, mas subindo em relação aos 22,7% observados nos três meses anteriores.

Desemprego ‘real’ ainda atinge 869,9 mil pessoas

A taxa de desemprego e o número de desempregados contabilizados pelo INE está em forte queda, mas o desemprego 'real' ainda está em patamares muito elevados e bem acima do 'oficial'. Contudo, também regista uma tendência de forte descida. O indicador de subutilização do trabalho divulgado pelo INE, que acaba por medir esse desemprego 'real', aponta para 869,9 mil pessoas abrangidas no terceiro trimestre, a que corresponde uma taxa de subutilização do trabalho de 15,8%. São valores bem acima do desemprego 'oficial' medido pelo INE, que aponta para 444 mil pessoas desempregadas e uma taxa de desemprego de 8,5%.

Contudo, são números em queda face aos trimestres anteriores. No segundo trimestre deste ano, o INE calcula que a subutilização do trabalho abrangeu 903,3 mil pessoas, a que correspondia uma taxa de subutilização do trabalho de 16,6%. Já no terceiro trimestre de 2016 (período homólogo), os valores eram de 1,0318 milhões de pessoas e de 18,8%, respetivamente.

O conceito de subutilização do trabalho junta aos desempregados apurados no inquérito ao emprego (a população desempregada 'oficial' medida pelo INE) ,o subemprego de trabalhadores a tempo parcial (trabalhadores a tempo parcial que gostariam de trabalhar mais horas), os inativos à procura de emprego mas não imediatamente disponíveis para trabalhar (e que por isso não aparecem no número de desempregados medidos pelo INE) e os inativos disponíveis para trabalhar mas que não procuram ativamente emprego (os chamados “desencorajados”, que também não aparecem nas estatísticas do desemprego medido pelo INE).