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Bruxelas quer limites de emissões mais apertados para a indústria automóvel

EMMANUEL DUNAND/GETTY

Comissão Europeia apresentará esta quarta-feira uma proposta de novas regras para as emissões de CO2 nos transportes, incluindo incentivos a uma maior aposta da indústria automóvel europeia nos carros elétricos

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Comissão Europeia vai apresentar esta quarta-feira uma proposta com novos limites de emissões de CO2, mais exigentes, para os fabricantes de automóveis, anunciou em Bruxelas o comissário europeu da energia e clima, Miguel Arias-Cañete.

Durante uma conferência sobre energias limpas promovida pelo Parlamento Europeu, o comissário espanhol sublinhou que o sector dos transportes representa atualmente 25% das emissões de dióxido de carbono na Europa, daí a importância de tomar medidas para limitar as emissões na indústria automóvel.

Miguel Arias-Cañete não especificou quais os novos limites que serão propostos pela Comissão, face ao atual limite de 95 gramas de CO2 por quilómetro, mas frisou que se manterá o regime com "sanções muito pesadas", que passa por aplicar uma taxa de 0,95 euros por cada grama de CO2 em excesso face ao limite e por cada veículo vendido na Europa.

Da proposta de Bruxelas fará parte uma salvaguarda para a indústria, no sentido de que os fabricantes poderão evitar as sanções caso incorporem na sua produção uma percentagem mínima, não revelada, de veículos elétricos.

Em declarações aos jornalistas no Parlamento Europeu, o comissário europeu da energia sustentou que a proposta de Bruxelas terá uma componente de estímulo à mobilidade elétrica. "A indústria europeia está a perder a liderança na construção de veículos elétricos", alertou o comissário, notando ser preciso incentivar a produção local destes automóveis, em vez da importação de países extra-comunitários.

No plano da negociação do pacote "Clear Energy for All", o quarto pacote europeu de legislação na área energética, Cañete admitiu que "a negociação com o Parlamento Europeu está a ser complicada, porque o Parlamento está a ser mais ambicioso do que a proposta da Comissão".

Uma das metas em que vários eurodeputados assumiram uma ambição mais elevada é na fixação de uma meta vinculativa de incorporação de 35% de fontes renováveis no sector elétrico até 2030, face ao objetivo de 27% atualmente em cima da mesa.

*O jornalista viajou a Bruxelas a convite do Parlamento Europeu.