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Imobiliário cria 3300 empregos ao mês

Mediadores e construtores debateram no SIL as tendências do imobiliário nacional

António Bernardo

Entre janeiro e junho, o sector gerou 20 mil postos de trabalho

A capital portuguesa recebeu, na semana passada, o Salão Imobiliário de Lisboa que é uma das grandes montras do mercado imobiliário. E, como habitualmente, o sector foi analisado à lupa numa altura em que é um dos mais dinâmicos da economia. Dois dos debates estiveram a cargo da rede imobiliária ERA Portugal onde foram revelados números criação de emprego e reabilitação urbana que mostram, precisamente, a pujança do mercado imobiliário depois de anos em crise.

Segundo Luís Lima, presidente da APEMIP-Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária em Portugal, atualmente o país tem 3500 empresas a operar no sector imobiliário e “entre janeiro e junho deste ano o imobiliário criou 20 mil empregos”. Os números foram divulgados durante a conferência “Talento e criação de valor no sector imobiliário”, no SIL, e mostram a retoma deste mercado já que, feitas as contas e segundo estes números, foram criados em média 3333 empregos por mês e 111 ao dia.

Mudar de vida com 
a mediação imobiliária

À margem da conferência, João Pedro Pereira, membro da comissão executiva da ERA Portugal, lembrou que esta área de atividade, com a crise, perdeu muitos postos de trabalho e daí que não seja de estranhar esta recuperação numa altura em que se verifica retoma. Contou ainda que há muitas empresas a nascer e “estão a abrir lojas ERA em zonas onde antes não existiam e criam em média entre três a quatro postos de trabalho”.

Nuno Martins, empresário franquiado da ERA Chiado/Lapa foi outro dos intervenientes no debate e na sua perspetiva existem vários perfis profissionais a seguir uma carreira na mediação imobiliária. “Pode ser a pessoa que fez um MBA ou alguém com muita experiência profissional que decide entrar numa nova vida e hoje em dia o imobiliário é uma opção de carreira com rendimento acima da média”. A sua história confirma esta tendência, uma vez que trabalhava no sector farmacêutico e ingressou nesta atividade. A sua loja é hoje uma das que mais faturam no universo ERA Portugal.

Ângelo Felgueiras, alpinista, piloto e formador de equipas comerciais ERA, partilha da ideia de que, desde que se tenha vocação comercial e disciplina pessoal para seguir uma metodologia de trabalho, qualquer pessoa poderá fazer uma carreira de sucesso nesta atividade. E quem experimenta acaba por ficar, e se o mercado entrar num ciclo baixo mesmo assim os intervenientes do sector acreditam que os bons profissionais se manterão.
Numa altura em que como lembra João Pedro Pereira há uma clientela mais sofisticada e exigente onde entram estrangeiros à mistura, o mediador tem também de ser mais qualificado para dar resposta a um novo comprador. E numa área onde a digitalização está a entrar em força, defendeu que “talento e tecnologia são áreas-chave para liderar no sector imobiliário”. E podem fazer a diferença no desempenho da empresas.

O futuro passa 
pela reabilitação urbana

Ainda em discussão no SIL e também com organização da ERA Portugal, debateu-se o tema “Casas novas em Portugal: o estado da nação”. Um assunto que, de acordo com João Pedro Pereira, surgiu pela necessidade de definir as necessidades de longo prazo, numa altura em que se assiste a mais construção depois de um período de estagnação. A tónica nesta conversa foi de que o futuro da construção de imóveis residenciais passa sobretudo pela reabilitação urbana. No entanto, a ideia não foi consensual entre construtores e mediadores também presentes no debate. Luís Saraiva, secretário-geral da Associação dos Industriais da Construção Civil e Obras Públicas, e Mário Abreu, gerente da MDA Construtora, lembraram que, nos grandes centros urbanos de Porto e Lisboa, ainda há espaço para construir e a reconstrução acaba por ter custos mais elevados do que a construção nova. A Ordem dos Engenheiros lançou o alerta sobre a atual legislação que permite que as habitações reabilitadas em centros históricos estejam isentas de vários tipos de inspeções de segurança, como por exemplo contra risco sísmico.

Outra ideia que saiu do debate, avançada por Nelson Ressurreição, franqueado da ERA Aveiro, foi a necessidade de os construtores trabalharem em conjunto com as imobiliárias de forma a adequarem o tipo de construção e tipologias ao perfil dos potenciais compradores de determinada zona. Entre elas os millennials, que procuram casas mais pequenas para comprar ou arrendar e casais mais velhos que vendem casas grandes após a autonomia dos filhos e querem imóveis também mais pequenos. Quem compra dá também cada vez mais atenção à poupança energética e qualidade do produto.