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Sistema de controlo de trafego aéreo já falhou quatro vezes em 2017

Bruce Bennett/GETTY

Este ano, os controladores de tráfego aéreo em Portugal já foram confrontados com quatro falhas no sistema de controlo, que duraram cerca de dois minutos cada, durante as quais deixaram de ter informações sobre a designação que identifica os aviões que cruzam o espaço aéreo nacional

Os controladores aéreos portugueses foram confrontados com quatro falhas no sistema de controlo e gestão do tráfego aéreo (ATM) utilizado pela NAV - Portugal, revelou esta manhã o presidente da direção do Sindicado dos Controladores de Tráfego Aéreo, Carlos Valdrez, numa sessão de esclarecimento realizada a propósito do Dia Internacional dos Controladores de Tráfego Aéreo.

As falhas técnicas ocorreram a 11 de março, 20 de agosto, 2 de outubro e 9 de outubro, revelou Carlos Valdrez. Estas falhas ocorrerem por períodos de poucos minutos, durante os quais os aviões tiveram de permacener no ar ou nas pistas, estando impossibilitados de aterrar ou descolar. Tecnicamente, os requisitos de segurança são mantidos, e as consequência das falhas no sistema são um grande aumento de stresse para os controladores e atrasos de minutos nas aterragens e nas descolagens.

O nível de saturação com que está a funcionar o sistema ATM com que trabalham os controladores aéreos portugueses exige a urgente adopção de um novo sistema, sobretudo para acomodar o acréscimo de tráfego aéreo pretendido para a zona de Lisboa, com a futura utilização complementar da pista da base aérea do Montijo.

Se hoje a pista do Montijo estivesse operacional para poder receber aviões comerciais, não poderia ser utilizada porque o atual sistema ATM está saturado e não permitia processar o acréscimo de tráfego aéreo em Lisboa", explicou uma fonte do sector.

"O crescimento do tráfego aéreo nos últimos quatro anos foi da ordem dos 39% e o nível de utilização dos atual sistema ATM atingiu o ponto de saturação", explica a mesma fonte. Atualmente, mais de 1700 voos diários cruzam o espaço aéreo português.

A escolha de um novo sistema está praticamente concluída, e era suposto que os técnicos da NAV já tivessem assinado um protocolo de adesão aos sistema de ATM do consórcio Coopans - que integra, entre outros países, a Suécia, Dinamarca, Áustria, e a Irlanda - mas a assinatura deste protocolo acabou por ser adiada pelos portugueses. Fontes do sector dos controladores de tráfego aéreo explicam que um novo sistema levará cerca de três anos a implementar.

  • A propósito das falhas agora denunciadas no sistema de controlo de tráfego aéreo de Lisboa, republicamos um trabalho de fevereiro deste ano onde já se noticiava que o dispositivo estava no limite. A Pista do Montijo só poderá ser utilizada se for comprado equipamento novo