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Juros da dívida portuguesa lideram descidas esta semana. Draghi reafirma estratégia do BCE

Os juros das Obrigações soberanas a 10 anos de Portugal e de Itália registam as maiores descidas durante esta semana na zona euro. Mario Draghi em Washington reafirmou política monetária do BCE face a pressões alemãs tendo em vista a reunião de 26 de outubro

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro português (OT) a 10 anos lideram as descidas esta semana no mercado secundário da dívida soberana na zona euro. Logo a seguir, a queda dos juros dos títulos italianos.

Os leilões de OT a 5 e 10 anos realizados esta semana pelo Tesouro português enquadram-se nesse trajetória descendente acentuada. Recorde-se que a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pagou a segunda taxa mais baixa de sempre (2,327%, apenas acima do mínimo de 2,0411% em 25 de fevereiro de 2015) no leilão a 10 anos e um mínimo (abaixo de 1%) na colocação a 5 anos.

Os juros das OT a 10 anos abriram esta sexta-feira já muito perto de 2,3%, e a trajetória é para caírem abaixo desse nível. Em relação ao fecho da semana passada, em 2,43%, o recuo semanal é já de 13 pontos base.

O mesmo movimento de queda de juros a 10 anos observa-se nos restantes países emissores de dívida na zona do euro. A segunda maior descida da semana regista-se nos juros dos títulos transalpinos naquela maturidade de referência, que caíram de 2,2% para 2,1% entre o fecho a 6 de outubro e a abertura hoje.

Draghi responde e Schäuble e Weidmann

Uma frase de Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), num painel realizado na quinta-feira em Washington DC à margem da assembleia anual do Fundo Monetário Internacional, está a marcar o 'sentimento' entre os analistas financeiros.

Intervindo num painel sobre "Repensar a Política Macroeconómica", organizado pelo Peterson Institute for International Economics, o italiano sublinhou que a expressão "muito para além" é "muito importante para ancorar as expetativas" dos mercados.

Este "muito para além", transformado em manchete financeira, faz parte de um dos pontos centrais da orientação do BCE: "As taxas de juro diretoras do BCE permanecerão nos níveis atuais [em mínimos históricos] durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos [vulgo o programa expansionista de QE]". (sublinhado nosso).

Em suma, Draghi repetiu ontem que uma subida das taxas de juro (tal como já iniciou desde dezembro de 2015 a Reserva Federal norte-americana) não está ainda no horizonte e sublinhou inclusive que "as taxas negativas [na remuneração dos depósitos dos bancos da zona euro nos cofres do BCE] têm sido um sucesso".

O presidente do BCE responde, assim, às pressões públicas mais recentes do ainda ministro das Finanças Wolfgang Schäuble (que, em breve, deixará o Tesouro para ir presidir ao Bundestag, o parlamento), através do Financial Times, e de Jens Weidmann, o presidente do Bundesbank (o banco central germânico], que, ainda ontem, era citado por um semanário económico alemão, o Wirtschafts Woche, reclamando que "[as taxas de juro superbaixas] não deverão durar muito".

Recorde-se que Schäuble deu, no fim de semana passado, ao jornal britânico uma manchete: vem aí mais uma crise financeira global. E a culpa é dos bancos centrais que, com as suas políticas expansionistas anticrise dos últimos anos, inundaram os mercados e, assim, se arriscam a gerar “novas bolhas”.

A reunião de 26 de outubro do conselho do BCE

Este clima de controvérsia pública desenrola-se a poucas semanas da realização da mais importante reunião do conselho do BCE deste ano, a 26 de outubro.

Espera-se que, nessa reunião, o BCE avance com a decisão de um prolongamento do programa de compra de ativos em 2018. A equipa de Draghi tem debatido a extensão desse prolongamento e a redução mensal do volume de compras. A Bloomberg adiantou que a devcisão poderá ser no sentido de uma extensão até setembro do próximo ano. Os analistas dividem-se quanto ao volume mensal, que deverá baixar dos atuais €60 mil milhões para um intervalo entre €25 e €40 mil milhões.

  • Um dia depois do Tesouro ter pago a segunda taxa mais baixa num leilão de obrigações a 10 anos, os juros no mercado secundário continuam em queda e registam um mínimo desde maio de 2015, o ano em que se verificaram mínimos históricos