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Têxteis. O regresso de Angola

Até agosto, as exportações têxteis cresceram 4,5%. Para Angola subiram 69%

Há um mercado a ganhar peso e a recuperar a dimensão que já teve nas exportações da indústria têxtil e do vestuário (ITV): Angola. O país já foi um bom cliente dos made in Portugal, depois perdeu brilho e, agora, volta a dar sinais de estar a regressar às compras.

Entre janeiro e agosto, as vendas da ITV Lusa ao exterior aumentaram 4,5%, para os 3,5 mil milhões, mas no caso de Angola o salto foi de 69% ou 13,6 milhões de euros. Em valor, há destinos com subidas mais vistosas como a França (26,8 milhões de euros), mas em percentagem só o Brasil (83%) bate o registo angolano nos primeiros oito meses do ano.

Assim, mesmo considerando apenas o segmento do vestuário, o mercado angolano foi, no período em análise, o 13ª destino da produção nacional (17,4 milhões), já a aproximar-se do top 10 onde teve presença garantida durante vários anos. Em 2012, por exemplo, era o oitavo maior cliente da ITV lusa, com 79 milhões de euros, manteve a posição em 2013, desceu ao 9º lugar em 2014 e, em 2015, saiu do grupo dos maiores compradores da indústria portuguesa.

Este regresso de Angola acontece num ano em que o sector espera bater o seu recorde absoluto nas exportações, depois de fechar 2016 nos 5.063 milhões de euros, o que representa o seu melhor desempenho desde 2001 e permitiu antecipar em 4 anos a passagem da meta dos 5 mil milhões, enquadrada nos objectivos estratégicos do sector apenas para 2020.

Ordem para diversificar

Mas o desempenho da fileira neste mercado marca, também, uma tendência de crescimento dos têxteis e vestuário português nos destinos extra-comunitários, onde as vendas subiram ao ritmo de 11%, uma percentagem que mais do que duplica os 4,5% registados a nível geral.

Aqui, pesaram as subidas conjugadas de Angola e do Brasil, mas também dos EUA (14,5%), já a afirmarem-se como quinto maior cliente da indústria têxtil e do vestuário portuguesa, ou da China (23%).

Na análise dos números até agosto, a ATP - Associação Têxtil e Vestuário de Portugal e a ANIVEC - Associação Nacional das Indústrias de Vestuário e Confeção coincidem, aliás, em destacar esta tendência de diversificação.

Para a União Europeia, as vendas aumentaram 3,3%, lideradas por França, o segundo destino da ITV nacional, mas também impulsionadas por países como a Alemanha (5%), no terceiro lugar no ranking exportador, mas também Itália (14%), na sexta posição.

Espanha, apesar de ter subido apenas 2%, continua a liderar confortavelmente a lista dos clientes os têxteis e vestuário made in Portugal, com 1,2 mil milhões de euros ou 34% das vendas totais do país ao exterior neste sector.

Angola também já vende a Portugal

O saldo da balança comercial da fileira somou 843 milhões de euros, o que corresponde a uma taxa de cobertura de 131% e, do lado das importações, Angola também marca, agora, presença através de uma fábrica angolana de produtos têxteis que se estreou no fornecimento do mercado nacional com uma encomenda de 156 toneladas de fio. De acordo com a Agência Lusa, que cita Tambwe Mukaz, presidente da Alassola, instalada em Benguela, esta é a primeira exportação do género em Angola, deverá repetir-se dentro de quatro semanas e, dentro de três meses, está previsto o envio de tecido.

O projeto resulta da reabilitação da antiga África Têxtil, inaugurada em 1979 e paralisada desde 1998.