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Mercados continuam a achar que a Fed vai subir as taxas de juro em dezembro

A divulgação esta quarta-feira das atas da reunião do banco central norte-americano realizada em setembro não alterou a perceção dos mercados financeiros de que haverá uma nova subida dos juros em dezembro

Jorge Nascimento Rodrigues

Apesar de a equipa de banqueiros centrais norte-americanos chefiada por Janet Yellen continuar dividida sobre as razões do ‘mistério’ da persistência de uma inflação baixa e de vários membros exortarem a que haja “alguma paciência”, os mercados financeiros continuam a apostar numa probabilidade elevada de que a Reserva Federal norte-americana (Fed) decidirá na última reunião do ano, em dezembro, mais um aumento de 25 pontos base na taxa diretora.

A divulgação esta quarta-feira em Washington das atas da reunião da Fed de 19 e 20 de setembro confirmou o que se sabia sobre as divisões internas. O impacto na bolsa de Nova Iorque não foi visível com os três principais índices a manterem-se pouco acima da linha de água pelas 19h30 (hora portuguesa), trinta minutos depois da divulgação das atas. No mercado de futuros das taxas de juro, a probabilidade implícita do anúncio a 13 de dezembro de uma subida para o intervalo entre 1,25% e 1,50% está em 86,7%, segundo o FedWatch do grupo CME.

Alguns analistas financeiros continuam a sublinhar que um aumento em dezembro não é “automático”, que a equipa do comité de política monetária continua claramente dividida sobre as razões sobre o que se está a passar com a inflação e que, para "vários" dos banqueiros centrais, o seu voto “dependerá principalmente dos dados económicos nos próximos meses aumentarem a sua confiança de que a inflação efetivamente vai evoluir em direção” à meta de 2%.

A situação fragmentada dentro da Fed foi assim resumida pelos analistas do Commerzbank: "Muitos" pensam que outra subida da taxa este ano "provavelmente se justificaria", "vários" querem que a decisão esteja dependente dos próximos dados económicos e "poucos" consideram desnecessária nova subida a curto prazo.

O mistério do que se está a passar com a inflação

Foi a presidente Yellen que, no final de setembro, numa conferência em Cleveland, nos EUA, classificou de ‘mistério’ o que se está a passar com a inflação, teimosamente baixa face a uma retoma económica sólida, e admitiu que a equipa está a monitorizar “de perto” os dados económicos que se vão conhecendo. Ela própria estará “pronta a modificar os seus pontos de vista [que apontam para nova uma subida dos juros ainda este ano] com base no que se souber”.

No entanto, uma outra parte do comité de política monetária manifesta-se “preocupada” com o facto de que ao travar-se “por muito tempo” novos aumentos das taxas de juro poderá gerar-se “um aumento da inflação que seria difícil de controlar”, a par da continuação de uma clara sobrevalorização dos preços de algumas classes de ativos.

Recorde-se que a Fed subiu a taxa de juro diretora para o intervalo entre 1% e 1,25% na reunião de junho e que, em setembro, optou por não decidir novo aumento. Os analistas e os mercados de futuros não consideram que na próxima reunião a 1 de novembro se decida por uma subida.

O banco central norte-americano subiu as taxas em dezembro de 2015, depois de sete anos em mínimos históricos no intervalo entre 0% e 0,25%. As subidas seguintes foram decididas em dezembro de 2016 e março e junho de 2017. A opção tem sido aumentar 25 pontos base (um quarto de ponto percentual) em cada subida.

Em claro contraste, o Banco Central Europeu mantém desde março de 2016, a taxa diretora principal de refinanciamento em 0% e tem reafirmado a orientação futura de que esse quadro vai permanecer "nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte [do programa] das compras líquidas de ativos".