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Já não é um filme. O digital está mesmo aqui à porta

Da modernidade das paisagens futuristas do clássico do cinema “Blade Runner” à transição digital que hoje vivemos foi um passo mais rápido do que se esperava

D.R.

A transformação digital como tema em destaque na conferência que juntou figuras do sector tecnológico

Se o mundo retrodigital de “Blade Runner” parecia, aos expectantes olhos de 1982, algo que tão cedo não teria lugar fora do universo de ficção científica, então pense outra vez. Ainda não chegámos aos testes de deteção de robôs e carros voadores. Mas a tecnologia avançou (e continua a avançar) bem mais depressa do que aquilo que podia aparentar à primeira. E agora já ninguém se ri quando a expressão “economia digital” é utilizada como uma descrição dos tempos em que vivemos.

Pudera, é a realidade. Transformação que permeia toda a sociedade e foi a grande protagonista da jp.di summit 2017 com tudo o que implica e significa para o nosso dia a dia. Organizada pelo jp.group (com o apoio do Expresso), teve como palco o Centro Cultural de Ílhavo e apresentou um programa que juntou uma montra tecnológica de várias empresas — portuguesas e estrangeiras — a vários momentos de discussão e palestras para dar a conhecer as grandes tendências deste mundo de inovação.

Em Portugal, a economia digital “já vale €2,3 mil milhões”, valor que “pode ser ainda superior” de acordo com um estudo da APDC mencionado pelo diretor da “Exame Informática”, Pedro Oliveira, na sua intervenção. Porquê? A resposta está nas condições que o país já possui, como a “velocidade da internet” ou a “qualificação dos recursos humanos.” Sem escamotear que é preciso mais e que, por exemplo, cerca de “cinco mil postos de trabalho vão ficar por ocupar” por falta de talento. Tema que abordou o country manager da Lenovo, Miguel Coelho, ao falar dos trabalhadores do futuro. Até 2020, 50% da força de trabalho será composta por millennials, com 1 em 3 a darem prioridade à flexibilidade no uso de dispositivos e mobilidade no local de trabalho ao invés do salário.

Capacidade de adaptação
Os tópicos serviram de mote para o ponto alto, a mesa-redonda que juntou algumas das principais figuras da tecnologia em Portugal. Moderado pelo diretor executivo do Expresso, Martim Silva, o debate prendeu a atenção da plateia de profissionais e entusiastas. Para o chairman do jp.group, Jorge Sá Couto, “que passa metade da vida lá fora”, algo que enfrenta com gosto é como “responder a quem quer com a máxima urgência a melhor coisa”, ou seja, utilizar as ferramentas à disposição para ter uma melhor perceção do que cada cliente quer em dada altura.

Vivemos uma “transformação real e muito rápida, mais do que em qualquer outra fase da humanidade” garantiu Carlos Clerencia. O country manager da Intel lembra que a tecnologia “dá oportunidades a outros que de outra forma não teriam“ e permite a “qualquer um posicionar-se, é uma questão de como se utiliza.” É na “capacidade de adaptação” que se encontra a diferença. Na visão da vice-presidente da Schneider Electric, Maria de Lurdes Carvalho, importa perceber que “a tecnologia só por si não resolve nada, é uma questão de mentalidade”, algo que em Portugal ainda não permitiu dar o salto em função do que considera a nossa intrínseca “dificuldade em arriscar.” Claro que hoje “já podemos falar de economia digital” quando estamos “rodeados de sensores por todos os lados.” Resta saber o que fazer com este “aumento maciço de dados” que a Internet of Things — a conectividade entre dispositivos e sensores colocados em infraestruturas ou transportes, por exemplo, para partilha e recolha de informações — traz-nos.

Mas não está tudo definido. Pedro Miguel Fernandes, responsável pelo departamento de IT & Mobile da Samsung Portugal, considera que “ainda estamos numa etapa muito atrás da transformação digital” e que só agora estamos “a entrar na big data e na sua incorporação” nas decisões. Se as “barreiras legais” são um fator a ter em conta, não há dúvida de que “existe mercado e vontade” para “tirar o melhor proveito” destas mudanças. Processo que “está assente num ecossistema e plataformas abertas” segundo Rui Silva, da Huawei, para quem é importante desenvolver uma “visão de conjunto entre as diferentes empresas tecnológicas.” Quando ainda existem “presidentes de câmara que querem comprar smart cities”, como um caso curioso que relatou (sem nomes), temos de “ultrapassar os chavões e ajudar a perceber como podemos mudar.”

Outro dos “pilares da transformação digital” é a mobilidade, onde ainda se nota um “desfasamento face ao que devia estar a acontecer” segundo Hélder Bastos. Subsiste “falta de confiança” de que “os trabalhadores já podem ser avaliados de outra forma.” O country manager da Asus acredita que “temos tudo para sermos bem-sucedidos nesta transição” mas que esse “passo tem que ser dado em consciência e isso ainda não é regra”. Hoje já podemos “alterar os métodos de trabalho”, afirma a diretora geral da Microsoft Portugal, Paula Panarra. É preciso “dissociar o espaço físico da produtividade e do empregado, o que conta é o trabalho”, atira. Se bem que “o ser humano não muda todo à mesma velocidade”, a responsável defende que deve-se “transmitir uma inquietude que é urgente planear os cinco anos das nossas empresas” para acrescentar “dinâmica ao país”.

Com moderação de Martim Silva (Expresso), Jorge Sá Couto (jp.group), Carlos Clerencia (Intel), Hélder Bastos (Asus), Maria de Lurdes Carvalho (Schneider), Pedro Miguel Fernandes (Samsung), Paula Panarra (Microsoft) e Rui Silva (Huawei) analisaram os grandes desafios da transformação digital

Com moderação de Martim Silva (Expresso), Jorge Sá Couto (jp.group), Carlos Clerencia (Intel), Hélder Bastos (Asus), Maria de Lurdes Carvalho (Schneider), Pedro Miguel Fernandes (Samsung), Paula Panarra (Microsoft) e Rui Silva (Huawei) analisaram os grandes desafios da transformação digital

RUI DUARTE SILVA

O que disseram

“Se calhar, não estivemos nas revoluções anteriores porque não tínhamos massa crítica. Hoje temos aqui empresas globais, valências e capacidade para singrarmos”
Paula Panarra
Diretora-geral da Microsoft Portugal

“A nível de cultura empresarial, ainda há um passo grande que temos de dar. Em Portugal estamos muito à frente na tecnologia, mas falta mudar a mentalidade”
Hélder Bastos
Country manager da Asus

“A transformação 
digital é uma das nossas prioridades estratégicas internas. Começamos pela conectividade 
dos produtos. 
Queremos maximizar 
a importância dos dados que estamos a extrair dessa arquitetura”
Maria de Lurdes Carvalho
Vice-presidente da Schneider Electric

“Temos de entender 
com cada cliente como nos adaptar ao que 
as circunstâncias vão pedindo. É importante 
as empresas perceberem o que já se passou. 
Cada dia nesta economia digital parecem 100”
Jorge Sá Couto
Chairman do jp.group