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Portugueses escoam stock da Quinta da Marinha

Sheraton Cascais está a vender a um ritmo de duas casas por mês. Imóveis mais baratos custam 1,2 milhões de euros

Carlos Leal, administrador da United Investment Portugal, no Sheraton Cascais Resort

Carlos Leal, administrador da United Investment Portugal, no Sheraton Cascais Resort

Nuno Botelho

Pertenceu ao grupo Champalimaud, chegou a ser premiado como o ‘melhor resort hotel’ nos International Hotel Awards, mas acabou por ficar insolvente e ir parar ao fundo ECS Capital. Atualmente, nas mãos dos árabes da United Investment Portugal (UIP), que compraram o então Viva Marinha há um ano, o rebatizado Sheraton Cascais Resort pouco tem para vender na sua componente residencial. Das 29 casas de luxo (de um total de 57) que ainda havia disponíveis para comercializar quando a UIP desembolsou €45 milhões pelo ex-Viva Marinha, 22 foram vendidas em menos de um ano. Ou seja, cerca de duas por mês, a valores a variar entre os €1,2 milhões e €1,7 milhões.

A surpresa aqui é que, ao contrário do que é habitual no mercado de luxo, a maioria das casas — quase 40% — foi adquirida por portugueses, seguindo-se os brasileiros. Os franceses surgem em terceiro lugar. “Confesso que foi uma surpresa para nós esta procura por parte dos clientes nacionais, até porque compraram não tanto para residir mas para investimento. Mas a lógica tem a ver com a rentabilidade que aqui se oferece, muito menos volátil que qualquer aplicação na banca portuguesa ou na Bolsa. E ao fim do dia não se tem um papel, chega-se aqui e é real, existe alvenaria, um edifício, tem mobília...”, diz Carlos Leal, administrador da UIP, referindo que o proprietário pode entregar a casa à exploração hoteleira mediante uma taxa de rentabilidade.

Com as obras de renovação terminadas na componente residencial do resort e também no próprio hotel e áreas comuns, a UIP prepara-se agora para novos projetos. O Sheraton Cascais Resort, situado na envolvente do Parque Natural de Sintra Cascais, no coração da Quinta da Marinha, tem procura por quem ali quer residir mas não tem como expandir, nem em altura nem em densidade construtiva, por questões de respeito ambiental.

O grupo hoteleiro vai anunciar dentro de semanas um novo projeto em Lisboa. “É um certo tipo de hotel, para um certo nicho de mercado que acreditamos que existe e que nós temos o know-how e a capacidade para valorizar”, referiu Carlos Leal, escusando-se a adiantar muitos pormenores. Um projeto que assegure a sustentabilidade num mercado cada vez mais concorrencial. “Antes de 2008 toda a gente pensava que o negócio de hotel era fantástico, bastava abrir a porta e as pessoas entravam e começava logo a faturar-se. Não é assim, é um negócio de alto risco, quando há crise sente-se logo e o retorno demora 12 a 15 anos. Não é como o imobiliário, em que se vende hoje e de imediato se tem o retorno sobre o investimento”.

A questão da capacidade do aeroporto de Lisboa é outro desafio, diz Carlos Leal. “O número de projetos de hotéis com fase de abertura nos próximos 12 a 18 meses é assustador! E, em paralelo, temos um autêntico ‘bloqueio’ que é o nosso aeroporto, que já está muito acima em termos de chegadas do número de passageiros — pelo menos 6 a 8 milhões de passageiros mais —, mas já não tem por onde crescer. O meu receio é que a logística não consiga acompanhar a procura. O Porto não tem esse problema, porque o seu aeroporto ainda tem muita margem para crescer, mas em Lisboa é um problema grave e a solução, seja qual for, ainda demora entre quatro a oito anos a implementar. Alguém deveria estar a encontrar soluções”.