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Risco da crise catalã foi subestimado pelas empresas

Mundo empresarial e mercados não anteciparam a escalada e não houve preparação para vários cenários, alerta esta sexta-feira o painel de “sinais e avisos” do think tank francês The Red (Team) Analysis Society. FMI incluiu hoje o processo catalão nos riscos para a “história de sucesso” espanhola

Jorge Nascimento Rodrigues

O risco proveniente da crise entre Espanha e a Catalunha recebeu esta sexta-feira destaque no “painel de sinais e avisos” do think tank francês The Red (Team) Analysis Society, especializado em risco geopolítico e político. Na escala de sinais e avisos publicada esta sexta-feira, a questão catalã é classificada como em “escalada” e envolvendo uma “crise violenta”, o nível três em cinco níveis de um barómetro que vai de mera disputa à guerra.

Hélène Lavoix, diretora do think tank,, sublinhou que aquele risco foi “ignorado” por muitas empresas e pelo mundo empresarial em geral. “Novamente não conseguiram antecipar e se preparar para todos os cenários possíveis. Surpreendentemente, parece que não conseguem aprender com as lições muito recentes”, diz a académica, que avisa para o que isso pode significar em termos de estratégias empresariais: “Agora, à medida em que entram no campo da probabilidade de uma reação excessiva, por falta de uma perspetiva adequada sobre o que está a acontecer, aumentou a possibilidade de tomarem decisões erradas ou mesmo de também se poderem tornar facilmente peões nas mãos de outras partes interessadas”.

Por seu lado, o Fundo Monetário Internacional (FMI) acabou hoje por dar destaque à crise catalã ao sublinhar um dos riscos que poderão atrapalhar o que considera “uma história de sucesso”, a retoma espanhola. O FMI divulgou esta sexta-feira o relatório de análise da economia espanhola ao abrigo do Artigo IV e um documento de avaliação da estabilidade do sistema financeiro espanhol.

O relatório, para além de elogiar a recuperação espanhola, advertia para diversos riscos, e entre eles “os movimentos independentistas regionais que se adicionam à incerteza”. Os outros riscos apontados pelos documentos do FMI incluem o desemprego, a baixa produtividade, a dívida externa e o crédito malparado.

O risco dos movimentos independentistas acabaria por saltar esta sexta-feira para a ribalta com as declarações da chefe de missão do Fundo para Espanha. Andrea Schaechter, em uma conferencia telefónica, sublinhou que “o prolongamento das tensões e da incerteza relacionadas com a Catalunha podem pesar na confiança e nas decisões de investimento”.