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Novo Banco processa Diogo Vaz Guedes

Foto Nuno Botelho

Banco avançou com ação de execução para cobrar dívida de 4,3 milhões de euros. Empresário diz estar a negociar uma solução

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Novo Banco avançou com uma ação de execução contra Diogo Vaz Guedes e a Gespura SGPS, detida pelo empresário, para cobrar uma dívida de €4,3 milhões. Mas a entidade presidida por António Ramalho tem um problema pela frente: a Gespura não tem património para liquidar as dívidas aos credores.

A ação executiva deu entrada no Tribunal da Comarca de Lisboa esta quinta-feira, segundo o portal Citius, e vem somar-se a duas outras ações semelhantes interpostas pelo Haitong Bank em fevereiro deste ano no valor conjunto de €45 milhões. Há cerca de dois anos também a Caixa Geral de Depósitos (CGD) veio reclamar judicialmente mais de €1 milhão devidos pela Gespura.

Diogo Vaz Guedes, antigo presidente executivo da construtora Somague, e ex-sócio de António Mexia no projeto hoteleiro Aquapura, confirmou ao Expresso ter conhecimento das cobranças dos bancos. “Estamos em contacto com as entidades e a tentar arranjar soluções. É um tema em negociação”, respondeu o empresário.

Vaz Guedes confirma que a situação patrimonial da Gespura impede a empresa de reembolsar os créditos. “A solução passa por mim e não pela Gespura”, nota o mesmo responsável.

Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, no final de 2015 a Gespura tinha capitais próprios negativos de €30 milhões, fruto de sucessivos anos de prejuízos. Controlada por Vaz Guedes, a empresa tinha então como acionista minoritário, com 28,5%, a companhia luxemburguesa Novamil Invest, financiada e controlada por uma sociedade offshore das Ilhas Virgens Britânicas, denominada Bologna Ventures, cuja propriedade não foi possível apurar.

Os registos da Gespura revelam uma situação de tal forma crítica que desde junho de 2016 a empresa passou a constar da lista de devedores à Segurança Social, com uma dívida superior a €50 mil. A Gespura também chegou a estar na lista de devedores do fisco, da qual saiu em novembro do ano passado.

A Gespura SGPS está igualmente na lista pública de execuções do portal Citius, depois de em dezembro de 2016 ter sido incapaz de saldar com a Meo uma dívida de cerca de €4 mil por inexistência de bens.

A Gespura foi a holding criada em abril de 2003 por Diogo Vaz Guedes (originalmente com o nome Esquilo SGPS) para avançar com um conjunto de projetos de investimento em várias áreas. Na hotelaria criou a Aquapura HotelsVillas & Spa, que está insolvente e teve de entregar o projeto Douro Valley ao fundo Discovery (um empreendimento de luxo que está na génese dos créditos detidos pelo Haitong, herdados do antigo BES Investimento). No imobiliário avançou com a Artepura. E na área do ambiente apostou na empresa Dreen Water Re.Energy.

Nos últimos anos Diogo Vaz Guedes virou-se para Moçambique, onde lidera a Kuikila Investments, uma empresa de projetos energéticos que, em agosto, recebeu um subsídio de 880 mil dólares (€750 mil) da norte-americana US Trade and Development Agency para fazer um estudo de viabilidade para uma central termoelétrica alimentada a gás natural no mercado moçambicano, com potência de 78 megawatts (MW).