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Catalunha. Bancos e empresas estão de saída, Madrid já fez a lei que o permite

JAIME REINA / AFP / Getty Images

A incerteza é grande face ao futuro da Catalunha, e as grandes empresas estão a retirar as sede. O Caixabank, o Sabadell e a Gas Natural já decidiram sair. Portugal não ficará imune

O Caixabank, maior acionista do BPI, o banco Sabadell e a gigante Gas Natural já decidiram retirar a sede de Barcelona, a produtora de vinhos Freixenet pondera seguir os mesmos passos, se na próxima semana for declarada a independência unilateral da Catalunha. A situação é delicada, complexa e de grande incerteza. A decisão do Caixabank foi tomada durante a tarde desta sexta-feira, a sede vai mudar para Valência.

Os riscos para a economia catalã e espanhola são grandes. Portugal não ficaria imune. Espanha é o maior mercado português, e o andamento da economia do país vizinho afeta inevitavelmente a economia portuguesa. Em última análise poderá haver também um impacto negativo na dívida pública espanhola, cujos juros poderão subir com a fragilização da economia. Se isso acontecer também não serão boas notícias para Portugal.

Madrid está atenta e a mexer-se para atenuar os efeitos negativos da crise que se vive na Catalunha, e que se agravou depois de ter sido noticiado que na próxima semana seria declarada unilateralmente a independência. O Governo espanhol aprovou ao início da tarde em Conselho de Ministro um decreto lei que permite às empresas mudarem a sede sem precisarem de uma aprovação dos acionistas em Assembleia Geral, noticiou a imprensa espanhola. Uma medida de emergência, que visa acalmar os investidores e os acionistas, especialmente os das empresas cotadas.

Banca é o mais sensível

A banca é sector mais sensível, já que uma corrida aos depósitos poderia desestabilizar as instituições, e tem de ser travada a todo o custo. O Caixabank e o Sabadell pela sua dimensão são bancos sistémicos, e um abalo na sua solvabilidade poderia contagiar as restantes instituições. O Sabadell foi o primeiro a mudar, optou transferir a sede para Alicante, o Caixabank escolheu Valência. Já a Gas Natural decidiu transferir a sede temporariamente para Madrid, diz o Expansion.

Em comunicado ao mercado, o Caixabank diz que a decisão, tomada por unanimidade, visa "proteger o interesse dos clientes, acionistas e empregados, garantindo a permanência na Zona euros e a supervisão do BCE". Esclarece ainda que o objetivo é "preservar a integridade dos depósitos".

O decreto lei resolve parte do problema, mas pode não passar de “um paliativo”, diz fonte financeira portuguesa. Isto porque o facto de mudar a sede de região atenua os riscos, mas não os afasta totalmente. No caso da banca a questão é mais complexa, os depositantes podem continuar desconfortáveis em manter o dinheiro na banca catalã, e retirá-lo. “A sociedade espanhola está a ficar dividida, e já há pequenos boicotes a marcas da Catalunha. Pode o acontecer o mesmo com os bancos”, diz a mesma fonte. “Há risco de haver perda de negócio nas empresas e nos bancos. Se a situação de incerteza continuar haverá implicações económicas complicadas”, diz outra fonte da banca.

A lista de empresas a admitirem retirar a sede da Catalunha continua a crescer. O Expansion adianta que a empresa de infraestruturas Abertis e o grupo de seguros Catalana Occidente também equacionam mudar a sede

Madrid facilita deslocalização

Com a mudança da lei, as empresas podem a partir de agora mudar de sede social apenas com o “sim” do Conselho de Administração, em vez de terem de reunir a Assembleia Geral de acionistas. Algumas, como é o caso do Sabadell, não precisam, porque já tinha retirado esta obrigatoriedade dos estatutos.

A imprensa espanhola, nomeadamente o jornal catalão Ara, diz que na manhã da passada quinta-feira, altos responsáveis do Caixabank, o maior banco da Catalunha e o segundo maior de Espanha, pediram ao governo de Madrid uma mudança da legislação, que facilitasse a transferência da sede social das empresas.

Luís de Guindos, ministro da Economia espanhol, esclareceu que a medida é a resposta a uma “petição” de “uma série de instâncias empresariais”, “perante as dificuldades surgidas ao normal desenvolvimento da sua atividade numa parte do território nacional”. Uma alteração da sede social de uma empresa é uma operação jurídica que se pode realizar no espaço de poucas horas em Espanha, explica a agência Lusa.