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Bolsas europeias 'mistas'. Madrid e Milão no vermelho. Lisboa sem tendência definida

Madrid e Milão negoceiam esta sexta-feira no vermelho. Frankfurt, Londres e Zurique com ganhos. Oscilações em torno da linha de água em várias praças da zona euro, incluindo Lisboa. Sabadell já mudou sede social, CaixaBank deverá decidir hoje depois de governo espanhol facilitar este tipo de decisão. Bolsa está a penalizá-los

Jorge Nascimento Rodrigues

Trinta minutos após a abertura dos mercados bolsistas na Europa, Amesterdão, Madrid e Milão estão no vermelho, enquanto Frankfurt, Londres e Zurique registam ganhos. A situação é 'mista', com muitas praças sem uma trajetória ainda definida, com os índices a oscilar em torno da linha de água, como sucede, por exemplo, com Bruxelas, Lisboa e Paris.

O índice Ibex 35 da bolsa madrilena negociava a perder 0,17%, o índice MIB de Milão recuava 0,4%, liderando as quedas na Europa, e o índice AEX de Amesterdão perdia 0,13%, pelas 8h30 (hora portuguesa).

Em Lisboa, o PSI 20 abriu ligeiramente abaixo da linha de água, oscilou acima de zero, e registava -0,03% pelas 8h30 (hora portuguesa).

Com trajetórias positivas, importantes bolsas europeias como Frankfurt, Londres e Zurique.

Os dois pesos pesados catalães - Banc Sabadell e CaixaBank (que detém 84,52% do banco português BPI) - no índice madrileno estão esta sexta-feira a ser penalizados, liderando as quedas. Acompanhando, de perto, estas quedas, o BBVA. A par da turbulência bolsista do sector bancário, os principais grupos do imobiliário no índice Ibex 35 estão a sofrer, também, reveses - nomeadamente a Inmobiliaria Colonial (com sede em Barcelona) e a Merlin Properties (que adquiriu, no final de setembro, o edifício do Novo Banco no Marquês do Pombal, em Lisboa).

Na bolsa milanesa, que lidera as quedas europeias nesta abertura, três bancos italianos - Bper, Bpm e UBI - registam as maiores descidas.

Risco de Catalexit e instabilidade em Madrid

O risco do que já é designado por Catalexit (declaração unilateral da independência da República da Catalunha em relação a Espanha) tem afetado sobretudo a bolsa madrilena, com o seu índice Ibex 35 a recuar 1,21% na segunda-feira, logo a seguir ao referendo de domingo, e, ainda mais acentuadamente na quarta-feira, com uma quebra de 2,85%.

O índice madrileno recuperou na quinta-feira, com uma subida de 2,5%, a mais elevada à escala mundial, com os dois pesos pesados catalães do Ibex 35, os bancos Sabadell (que decidiu mudar a sede social para Alicante, na comunidade valenciana) e CaixaBank (que deverá tomar hoje uma decisão similar, no sentido de mudar a sede para Palma de Maiorca), a darem sinais de um exit do processo soberanista, acalmando os clientes (80% dos depósitos estão fora da Catalunha) e acionistas. Os líderes das duas entidades financeiras catalãs disseram um não claro a Oriol Junqueras, o vice-presidente do governo regional e líder da Esquerda Republicana), nas reuniões que realizaram ontem em Barcelona.

O governo espanhol deverá aprovar ainda hoje um decreto-lei facilitando as mudanças sociais de empresas sediadas na Catalunha, dispensando a convocatória de assembleias gerais de acionistas onde essa cláusula seja exigida.

O grupo têxtil Dogi decidiu, entretanto, mudar a sede para Madrid, e o fabricante de espumante Cavas, a Freixenet, poderá optar, também, por mudar a sede.

Vários analistas financeiros já sublinharam que o maior risco do processo catalão poderá ser a fragilização da situação do governo de Mariano Rajoy e o risco de eleições antecipadas em Espanha.

A próxima semana será crítica, aguardando-se os movimentos do governo catalão (que só poderá ser suspenso por uma decisão do Senado espanhol invocando o artigo 155 da Constituição) e do executivo de Mariano Rajoy.