Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

BCE. Em qualquer cenário, política monetária deverá continuar expansionista

O Banco Central Europeu divulgou esta quinta-feira as atas da reunião de setembro. A equipa de Mario Draghi reafirmou que em todos os cenários a política monetária deverá continuar "acomodatícia". Reunião discutiu opções alternativas sobre continuação do programa de compras em 2018

Jorge Nascimento Rodrigues

A orientação da política monetária do Banco Central Europeu (BCE) manter-se-á “altamente acomodatícia em qualquer um dos cenários [para a recalibragem futura do programa de compra de ativos]” em 2018, referem as atas da reunião de 7 de setembro da equipa de Mario Draghi divulgadas esta quinta-feira.

O conselho do BCE considera que as condições já permitem que a intensidade da política expansionista seja "adaptada" abrindo "uma oportunidade para reduzir as compras líquidas do Eurosistema". Daí, a recalibragem que está a ser estudada.

As atas revelam que os banqueiros centrais do euro discutiram cenários alternativos para a referida “calibração” do programa de compra de ativos iniciado em 2014, pesando os prós e os contras de duas opções centrais para 2018 – uma extensão mais duradoura do programa combinada com um corte maior do volume de aquisições mensais, ou um prolongamento mais pequeno do programa com volumes de compras mais elevados. Nessa avaliação das opções, o BCE terá em conta “possíveis riscos para a estabilidade financeira”.

O balanço do programa, como já tinha sido comunicado no final da reunião de 7 setembro, será realizado na reunião de 26 de outubro. As atas sublinham que houve um amplo consenso para que “o grosso das decisões, incluindo a estratégia de recalibragem dos instrumentos de política [monetária], poderá ser tomado na próxima reunião de política monetária em outubro”. No entanto, acrescenta-se que “não pode ser descartada a possibilidade de algumas decisões técnicas serem tomadas mais tarde”.

Divergências sobre o que se passa com o euro e a inflação

Dois tópicos concentraram o debate e revelaram divergências no seio da equipa de Draghi – o euro e a inflação.

As razões para a apreciação do euro face ao cabaz de divisas dos principais parceiros da zona euro desde abril de 2015, em particular a aceleração entre abril e agosto de 2017, dividiram os participantes. No entanto, concordam que aquela valorização introduz “uma fonte de incerteza” e que, por isso, o BCE deverá monitorizar estreitamente o andamento do euro no mercado cambial.

O debate sobre as razões de uma inflação baixa e de expetativas de continuação dessa tendência revelou, também, divergências sobre as suas razões. Uma coisa foi certa na reunião: “expressou-se um generalizado desconforto sobre o período verdadeiramente longo em que a inflação tem estado – e se espera que continue – distante da meta” oficial do BCE (abaixo, mas próximo de 2%).

Recorde-se que, já depois desta reunião do BCE, o Eurostat divulgou as primeiras previsões para a inflação em setembro, que não terá descolado, mantendo-se em 1,5% (tal como no mês anterior).

Depois de um pico em agosto, o euro tem estado a cair face ao cabaz de divisas dos parceiros da zona euro, e essa depreciação acentuou-se depois de conhecido o desaire da grande coligação de governo, até então chefiada pela chanceler Angela Merkel, nas eleições legislativas federais na Alemanha realizadas a 24 de setembro.