Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Trabalhadores da Autoeuropa têm 10 dias para afinarem estratégia

As eleições na Autoeuropa colocaram na Comissão de Trabalhadores representantes de quatro listas, que agora terão de definir uma estratégia negocial até 13 de outubro

Os 11 elementos ontem eleitos para a nova Comissão de Trabalhadores (CT) vêm de quatro listas concorrentes, porque nenhuma teve a maioria. Quatro elementos são da Lista E, de Fernando Gonçalves, que obteve 30,3% dos votos, três são da Lista D, de Fausto Dionísio, outros três são da Lista C, de José Carlos Silva (afetos à CGTP), e um elemento é da Lista A, de Paulo Marques. Face à variedade de programas defendidos pelos 11 novos elementos, esta nova equipa terá agora cerca de 10 dias para afinar uma estratégia comum que permita encetar as negociações com a administração da Autoeuropa entre 13 e 27 de outubro.

Os próximos passos dos 11 elementos da CT prevêem a nomeação de um coordenador e a constituição da Comissão Executiva da CT. Esta CT terá de dar resposta à posição manifestada pelos cerca de 3500 trabalhadores que se pronunciaram em referendo sobre o novo horário de trabalho.

Do total de 5128 funcionários da fábrica de Palmela, houve 4011 que votaram na eleição da CT (78% do universo), mas destes apenas 3472 foram convocados para se pronunciarem sobre os novos horários de trabalho, com 18 turnos semanais, de segunda-feira a sábado. A rejeição das novas condições foi manifestada por 2596 trabalhadores em referendo.

É para este universo de 3500 trabalhadores que a nova CT terá de afinar uma estratégia que seja aceite sem contestações - sobretudo para colocar de parte a convocação de novas greves, atendendo ao efeito negativo que a paralização da fábrica de Palmela, a 30 de agosto, provocou junto dos responsáveis da marca Volkswagen.

A Lista F, de Fernando Sequeira (conotado com o Bloco de Esquerda) e anterior coordenador demissionário da CT, bem como a Lista B, de Isidoro Barradas (afeto à UGT) não elegeram representantes na nova CT.

A nível internacional, a procura do novo modelo que vai ser fabricado na Autoeuropa, o T-Roc, tem ultrapassado as expectativas. Isto significa que o nível de produção da unidade de Palmela terá de ser revisto em alta face à programação inicial, implicando, numa primeira fase, o fim de produção do Scirocco, para dedicar a cadência de fabrico da linha de montagem a mais unidades do T-Roc.