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Recuperação da economia marcada por queda da produtividade

A queda da produtividade por trabalhador tem sido um dos tarços marcantes da recuperação da atividade económica e do emprego em Portugal, a partir de 2014, alerta o Banco de Portugal no Boletim Económico de outubro, divulgado esta quarta-feira

As boas notícias que têm marcado a evolução da económica portuguesa nos últimos meses não se estendem à produtividade, alerta o Banco de Portugal no Boletim Económico de outubro, divulgado esta quarta-feira.

"A queda da produtividade por trabalhador tem sido um dos traços marcantes da recuperação da atividade económica em Portugal iniciada em 2014", lê-se no documento. Uma evolução preocupante, já que este indicador traduz o valor acrescentado por trabalhador na economia, medido através do rácio entre o Valor Acrescentado Bruto (VAB) e o emprego.

Mais ainda, o Banco de Portugal sinaliza uma inversão de trajetória: "Depois de uma trajetória ascendente entre 2009 e 2013, a produtividade por trabalhador em Portugal, medida pelo rácio entre o VAB e o emprego, tem sido caracterizada por um perfil decrescente".

Assim, entre 2014 e o primeiro semestre de 2017, o VAB por trabalhador (que mede a produtividade) registou uma redução de 2,3%, segundo os cálculos do Banco de Portugal com base nas Contas Nacionais Trimestrais publicadas pelo Instituto Nacional de Estatística.

Explicação? O Banco de Portugal avança que "em termos agregados, esta evolução reflete um crescimento do emprego superior ao do VAB". Entre 2014 e o primeiro semestre deste ano, o emprego total cresceu 8,1%. No mesmo período, o aumento do VAB ficou pelos 5,6%.

Sector dos bens não transacionáveis penaliza produtividade

O comportamento da produtividade por trabalhador não foi uniforme no conjunto da economia ao longo deste período.

Entre 2014 e o primeiro semestre de 2017, "observou-se um ligeiro aumento da produtividade no sector produtor dos chamados bens e serviços transacionáveis e uma queda no sector dos bens e serviços não transacionáveis, em particular quando excluídas as administrações públicas e atividades imobiliárias", aponta o Banco de Portugal.

No primeiro caso, o aumento foi de 1%, enquanto no segundo a redução foi de 6%.