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Família Amorim cria um museu no Douro. Fernanda dá o seu nome ao novo projeto na Quinta Nova

O projeto arquitetónico do museu,enquadrado na Quinta Nova, é assinado por Arnaldo Barbosa

Armenio Teixeira

Fernanda Ramos Amorim já dava o seu nome a um museu em Grijó. Agora, faz o mesmo no Douro. “A pedido da minha filha Luísa, resolvi dar continuidade ao espólio existente há 15 anos”, diz ao Expresso três meses após a morte de Américo Amorim. “Temos a noção que somos dos melhores”, acrescenta

O Douro tem mais um museu. A Quinta Nova Nossa Senhora do Carmo abriu, agora, as portas ao Wine Museum Centre Fernanda Ramos Amorim, apresentado como "o resultado de um sonho da colecionadora em preservar a memória cultural da região do Douro, partilhando-a com todos os amantes do vinho que a visitam".
Ao Expresso, a companheira de uma vida do empresário Américo Amorim, assume, de forma clara: "temos a noção que somos dos melhores". E explica: O acervo apresentado "existe já há alguns anos e recebeu, em 2009, o Global Wine Tourism Award na categoria de Arte e Cultura, pela Great Wine Capitals Network, ou seja, foi considerado o melhor museu do vinho do mundo naquele ano".
Nessa altura, a coleção era apresentada na antiga estação ferroviária do Pinhão, onde a Quinta Nova, liderada por Luísa Amorim, a mais nova das três filhas de Américo e Fernanda, fez uma parceria com a Refer para lançar um projeto de enoturismo com os seus vinhos e um núcleo museológico.
Agora, o acervo passa a ser exibido num espaço próprio criado de raiz pelo arquiteto Arnaldo Barbosa de forma a ficar enquadrado no conjunto edificado da Quinta Nova. O valor do investimento não foi divulgado. Já o objetivo, é "valorizar a história da produção do vinho nesta região icónica nacional".
Na apresentação dos conteúdos, colaboraram a empresa de museologia MUSE e a Fundação Museu do Douro.

Armenio Teixeira

Um espólio único

Fernanda Amorim, que nasceu em 1935 em Grijó, perto de Vila Nova de Gaia, e passou a infância na Quinta de São Salvador de Grijó, diz que desenvolveu, desde cedo, o gosto pelo mobiliário antigo e a vida simples do campo", tendo partilhado já várias vezes o seu trabalho de colecionadora com o público através de exposições e publicações diversas, movida pela vontade de "preservar a memória das artes e ofícios tradicionais, dos hábitos e costumes quotidianos das gentes do Douro".
Desta vez, escolheu "naturalmente" a Quinta Nova para contar esta história e exibir objetos representativos da arte do vinho que são, também, "testemunho da memória, da cultura e da identidade da Região Demarcada do Douro nos séculos XIX e XX, retratando com minúcia as várias fases da produção do Vinho do Porto".
E entre os objetos reunidos há algum a merecer destaque especial? "O esmagador e a prensa que pertenciam à casa dos frades da Quinta do Mosteiro de Grijó e são peças seculares, talvez das mais importantes", responde a mãe de Paula, Marta e Luísa,
Novas aquisições para aumentar o espólio atual são possíveis. "Tem sido muito difícil juntar e aumentar esta coleção, mas se encontrar uma peça diferente pensarei duas vezes", promete Fernanda Amorim, que tem sido apontada como o elemento agregador do clã Amorim.
Nos 48 anos de casamento com Américo Amorim, falecido no passado dia 13 de julho, Fernanda já tinha revelado o seu gosto de colecionadora como provam o Museu de Artes e Ofícios de Maria Fernanda Ramos Amorim, aberto em Grijó há 30 anos e aberto a visitas com marcação prévia, ou o livro "História do meu avô António Alves de Oliveira Júnior", um típico self made man tal como o homem com quem casou.
"É um livro sobre a vida do meu avô, que com 16 anos emigrou para o Rio de Janeiro e só regressou a Portugal ao fim de 30 anos. Começou do zero, como empregado de uma padaria, e chegou a ser sócio e patrão. Mais tarde foi dono de mais padarias e confeitarias, aumentando o ramo de negócio para outras atividades, como lojas de cutelaria e aparelhos medicinais. Fui ao Rio de Janeiro averiguar o passado e encontrei os prédios em ruínas, com vestígios do pavimento e revestimento cerâmico originais, adquiridos em Portugal, bem como um cofre feito na casa Tomás Cardoso, em Vila Nova de Gaia", conta ao Expresso.

Armenio Teixeira

Quinta Nova reforça oferta

Com a abertura do projeto museológico Wine Museum Centre Fernanda Ramos Amorim, a Quinta Nova assume-se como "um dos projetos de enoturismo mais completos do panomara nacional", reforçando a sua oferta aos mais de 12 mil turistas que recebe anualmente na margem direita do Douro.
Com um extenso currículo de prémios e um volume de negócios próximo dos 1,5 milhões de euros, combinando uma produção de 400 mil garrafas de vinho vendidas em 30 mercados e turismo, a Quinta Nova, nas mãos da família Amorim desde 1999, prevê, chegar este ano às 456 mil garrafas.

Mas no grupo Amorim, junto à Corticeira Amorim, líder mundial na transformação de cortiça, há, desde 1996, um outro museu. É um espaço próprio, dedicado inteiramente à cortiça, na Casa do Fundador, o edifício que albergou as primeiras instalações do negócio da família, em Santa Maria de Lamas, denominado de “Palheiro da Eira”.

Fernanda e Américo Amorim estiveram casados 48 anos e tiveram três filhas, Paula, Marta e Luísa

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D.R.