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Banco de Portugal mantém previsão de crescimento em 2,5%

JOS\303\211 SENA GOUL\303\203O

O banco central manteve a anterior projeção que garante convergência com a zona euro 17 anos depois mas que implica uma desaceleração no segundo semestre

O Banco de Portugal (BdP) manteve a projecção de crescimento de 2,5% para a economia portuguesa este ano. No Boletim Económico hoje divulgado, o banco central reviu as estimativas para a evolução das diferentes componentes do Produto Interno Bruto (PIB) que, no conjunto, deverá manter a taxa de crescimento já avançada nas anteriores previsões. O que implica uma desaceleração do ritmo de 2,9% do primeiro semestre para 2% na segunda metade do ano. “O produto interno bruto (PIB) deverá crescer 2,5% em 2017, depois de ter aumentado 1,5% em 2016, com um perfil de desaceleração intra-anual”, lê-se no documento.

A confirmar-se, será o crescimento maior desde século – a par de 2007 – e deverá assegurar o regresso da economia portuguesa à convergência com a zona euro ao fim de 17 anos. Como refere o BdP, espera-se que “que o crescimento do PIB em 2017 supere em 0,3 pontos percentuais o crescimento observado na economia da área do euro, interrompendo a tendência de divergência real registada desde 2000.”Ainda assim, o PIB deste ano estará ainda 1,5% do nível de 2008, anterior à crise financeira internacional.

A desaceleração da economia na segunda metade do ano tem a ver com a desaceleração de algumas das componentes mais dinâmicas. Há alguns sinais no investimento – em particular na construção – mas o principal factor de desaceleração são as exportações. Isto apesar de os produtos portugueses continuarem a ganhar mercado no exterior: “Após os elevados ganhos de quota de mercado das exportações registados no segundo semestre de 2016 e no primeiro semestre de 2017, antecipa-se um ligeiro ganho de quota no segundo semestre de 2017.”

O abrandamento das exportações na segunda metade do ano acontece depois de dois semestres de grande dinamismo relacionado com: “a recuperação das exportações extracomunitárias, com destaque para Angola; a aceleração das exportações intracomunitárias, nomeadamente para Espanha; a dissipação de alguns efeitos temporários negativos, associados à redução da produção de unidades industriais dos setores energético e automóvel em 2016; e o crescimento extraordinário das exportações de turismo”. Tudo factores cujo impacto tenderá a normalizar ao longo da segunda metade do ano 2017.

No caso do turismo, o BdP alerta que o dinamismo “não tem estado a associado a um acréscimo de competitividade-preço”. Ou seja, Portugal tem beneficiado de factores externos. O documento explica porquê: “os preços dos alojamentos e da restauração – embora tenham permanecido contidos – têm registado aumentos superiores aos observados em outros países do Sul da Europa”.

Procura interna mais lenta, desemprego mais baixo

Nas novas estimativas, o BdP prevê crescimentos menores nas várias componentes da procura interna: 1,9% no consumo privado contra os 2,3% anteriores, 0,3% contra 0,4% no consumo público e 8% contra 8,8% no investimento (formação bruta de capital fixo). Ao mesmo tempo, reviu em baixa as projeções de crescimento das exportações (de 9,6% para 7,1%) e das importações (de 9,5% para 6,9%).

Apesar de o ritmo anual de crescimento do PIB se ter mantido inalterado, o emprego deverá crescer mais rapidamente (3,1% em vez de 2,4%) e a taxa de desemprego será menor (9% em vez de 9,4%). Nas contas externas o cenário é ligeiramente menos favorável com um saldo (das balanças corrente e de capital) de 1,8% do PIB quando, nas projeções anteriores, estava em 2,1%. A revisão das várias componentes do PIB e das estimativas para o mercado de trabalho face ao que era esperado em junho teve a ver com os dados do segundo trimestre que foram, entretento, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística.

A tendência, explica o BdP, é para uma desaceleração do ritmo de crescimento do PIB ao longo dos próximos anos: A recuperação da economia portuguesa projetada para 2017 ocorre numa envolvente económica, financeira e monetária particularmente favorável. O perfil de desaceleração intra-anual resulta de uma normalização que é consistente com uma aproximação ao ritmo de crescimento sustentável da economia portuguesa.” Neste boletim, o banco central não apresenta previsões para 2018, mas no Boletim Económico publicado em Junho, onde já tinha uma estimativa de 2,5% para o crescimento do PIB este ano, apontava para taxas de crescimento de 2% em 2018 e 1,8% em 2019.