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Modtissimo. Os têxteis portugueses em festa e na moda

Os têxteis já foram um dos patinhos feios da indústria nacional e tiveram morte anunciada. Conseguiram dar a volta e, esta semana, aproveitam a edição 50 do salão Modtissmo para celebrar. “É a hora certa para homenagear a indústria têxtil e do vestuário portuguesa”

É possível celebrar bodas de ouro e de prata no mesmo dia? O Modtissimo, salão da fileira têxtil e moda portuguesa, está decidido a provar que sim e, no dias 3 e 4 de outubro, na Âlfandega, no Porto, apresenta-se com 25 anos de vida para a sua 50ª edição, pronto a mostrar "a boa saúde" do sector com "casa cheia" e mais de 6.500 compradores, 500 dos quais internacionais.

"Queremos fazer desta comemoração uma homenagem à indústria têxtil e do vestuário portuguesa que há duas décadas atrás estava condenada à morte e chega a 2016 a bater recordes nas exportações", afirma Manuel Serrão, presidente da Associação Selectiva Moda, responsável pela organização do certame.

Em 1992, quando tudo começou na antiga Discoteca Jet Set, no hotel Solverde, em Espinho, através de uma parceria com os franceses da Federation de la Maille, o Modtissimo abriu as portas apenas com expositores estrangeiros, mas logo na segunda edição conseguiu atrair três portugueses que ainda hoje estão presentes no evento: Riopele, Velpor (então no grupo Amorim) e Adalberto Estampados.

Por essa, altura, já com o sector a antecipar um futuro difícil com quebras nas exportações, deslocalizações, falências e desemprego no quadro da OMC - Organização Mundial do Comércio - e da concorrência asiática, Manuel Serrão corria o país com os parceiros franceses, registando momentos como "o horror mal disfarçado quando entramos numa fábrica de lanifícios da Covilhã gelada, sem aquecimento".

"Era um país completamente diferente, nos têxteis como em tudo o resto", recorda Manuel Serrão que também viu o Modtissimo passar pela Exponor, inaugurar o Europarque, passar pelo hotel Sheraton, no Porto, aterrar no aeroporto Sá Carneiro e ocupar a Alfândega, agora integrado na Porto Fashion Week, que promete transformar a cidade na "capital da moda", associando um conjunto de iniciativas paralelas como o o Porto Fashion Week´s Night Out, o concurso de fotografia Fashion People, o itechStlyle Mini-Mi, Porto Wine Fashion ou o Festival Film Festival.

Um espelho de recordes

Desta vez, a procura dos espaços disponíveis para expor foi maior do que é habitual. Os pré-registos dos visitantes também superaram as expetativas.

Quando o salão abrir as portas, terça-feira, apresenta novidades e tendências do sector no panorama nacional e internacional, reunindo, no mesmo espaço, 400 coleções de fabricantes de tecidos e acessórios europeus para a indústria têxtil, produtores de vestuário para adultos e crianças com marca própria, private label e serviços.

Para a organização, este é "um espelho da reputação que o sector têxtil goza além fronteiras", com os empresários nacionais a conquistarem prémios de inovação em feiras no estrangeiro, como a Ispo, o maior certame de artigos de desporto do mundo, e a fileira a conseguir "aproveitar as ferramentas dos quadros comunitários de apoio", reinventando o seu modelo de negócio com design, moda, inovação tecnologia, criação de valor acrescentado, mas também pequenas séries, resposta rápida, flexibilidade, logística, internacionalização.

E as exportações batem recordes: crescerem 4,1% nos primeiros seis meses deste ano e esperam fechar o exercício com o valor mais alto da sua história, depois de ultrapassarem, em 2016, a meta de cinco mil milhões de euros definida para 2020.