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Savoy estuda hotel na margem sul do Tejo

O projeto vai abranger uma área de cerca de 11.000 m2 que há muito se encontra devoluta


Foto Ana Baião

Os madeirenses do grupo AFA ponderam trazer a sua marca para o Ginjal, em Almada

Alda Martins

O Cais do Ginjal, em Cacilhas, Almada, pode vir a acolher o sexto hotel da cadeia Savoy. Em declarações ao Expresso, José Teixeira de Sousa, administrador do grupo madeirense AFA, que detém o terreno, assume que estão “seriamente a pensar construir um Savoy” nessa zona.

A possibilidade ainda está a ser avaliada pelo grupo, no âmbito do projeto de reabilitação de grande parte da área do Ginjal — cerca de um quilómetro à beira-rio na margem sul do Tejo e que se estende pela arriba —, cujo Plano de Pormenor já foi aprovado em sessão de câmara e estará em discussão pública até 22 de dezembro.

A realizar-se, o futuro Savoy terá entre quatro e cinco estrelas, como qualquer um dos restantes hotéis do grupo, e será construído numa área de cerca de 11 mil metros quadrados, na localização da antiga fábrica de óleo de fígado de bacalhau no topo das escarpas.

Teixeira de Sousa admite que a dimensão do hotel, que está dentro dos cerca de 44 mil metros quadrados de área que o grupo tem para construir acima do solo, pode ainda aumentar um pouco: “Estamos a avaliar. Tudo vai depender da opção final que fizermos em termos de hotel, sendo certo que ao dia de hoje seria um Savoy.”

O hotel é apenas um dos espaços a construir pelo grupo AFA em Cacilhas, todos virados para Lisboa. No conjunto, o Plano de Pormenor que está em discussão pública potencia ainda a instalação de pequenas indústrias, habitação, restauração, infraestruturas de lazer e locais de estacionamento.

O Plano de Pormenor prevê também uma população de 693 habitantes e 330 fogos, mas o administrador do grupo AFA não avança números e refere apenas que “pode ser uma alternativa para jovens casais.” Deixando em aberto a possibilidade de não se tratar de habitação de luxo, logo acessível ao bolso da grande maioria dos casais jovens portugueses. “Vai ser interessante para os jovens casais habitarem e terem a sua atividade, porque o projeto prevê a construção de lofts que asseguram essa possibilidade”, acrescenta.

O projeto com a assinatura do arquiteto Samuel Torres de Carvalho, teve ainda em atenção a integração com a arriba. Teixeira de Sousa refere que a área a que chamaram “Concha”, porque se assemelha a tal, mesmo por baixo da localização do futuro hotel, contempla habitações e jardins integrados na própria arriba.

O administrador assegura que o projeto da margem sul do Tejo “é muito importante, porque tem um investimento muito significativo para o grupo”. Um investimento que não quis revelar, porque ainda não há Planos de Execução a fazer, mas que diz “tratar-se de milhões” e ser o maior, da responsabilidade do AFA, projetado para a Grande Lisboa.

Em busca de parceiro

O grupo da Madeira pondera arranjar um parceiro para o investimento total: “Estamos abertos a parcerias. Se for feito só por nós terá de ser de uma forma faseada.” Mesmo assim, sobre os timings da execução, o responsável admite que, à data de hoje, seja possível apontar 2027 como o ano da concretização final, mesmo que a obra seja faseada.

“Se no decorrer de 2018 tivermos os projetos de execução aprovados pela câmara, é possível imaginar que em 2019 podemos começar com a fase de infraestruturas.”

O administrador reconhece que a Câmara de Almada, responsável pelo Plano de Pormenor, tem estado muito empenhada na recuperação do território. “Tem sido uma parceria interessante. Só assim seria possível levar para a frente este projeto.”

A opção do grupo pelo investimento no Ginjal nada tem a ver com os planos de investimento que o Governo central, juntamente com a câmara, tem para a área vizinha, que se prolonga do cais, onde atracam os cacilheiros, à Margueira. “O investimento conjugou efeito oportunidade com localização. A grande beleza do projeto é a vista para Lisboa”, garante Teixeira de Sousa. No final, à exceção do hotel, o objetivo do grupo AFA é a venda.

O Cais do Ginjal, que compreende uma frente ribeirinha superior a 80 mil m2, possui uma área de 1 km de extensão de ligação ao Tejo, praticamente entre o local onde hoje atracam os cacilheiros e dois dos mais emblemáticos restaurantes da margem sul: o Atira-te ao Rio e o Ponto Final. A sua origem remonta a meados do século XIX, quando servia o negócio de abastecimento de água aos navios e albergava armazéns de vinho, azeite e vinagre.

Em grande na Madeira

Fundado em 1980 na Região Autónoma da Madeira, o grupo AFA tem como atividade principal a construção civil e as obras públicas. Uma atividade em que diz ser líder na região, além da presença que tem no Continente e na Região Autónoma Açores. O início da internacionalização aconteceu em 2007, com projetos na Mauritânia e no Senegal, mas atualmente o principal mercado internacional do grupo é Angola, que, entretanto, também já está a avançar para os mercados da Colômbia e Guiné Equatorial. Na área da hotelaria, o AFA ficou conhecido pela marca Savoy com a construção do Savoy Calheta Beach, na ilha da Madeira, inaugurado em 2004. Seguiu-se a construção do Savoy Saccharum Resort & Spa, inaugurado em 2015. E a posterior aquisição da Siet Savoy, que incluía as unidades hoteleiras Royal Savoy, Savoy Gardens e ainda o projeto de construção do novo Savoy Palace. O imobiliário, 
a aviação executiva 
e a comunicação social — com as rádios Calheta e Santana FM — são ainda outras áreas de interesse do grupo madeirense.

Plano de Pormenor 
do Cais do Ginjal

Área de intervenção:
80.400 m2
Extensão linear 
da intervenção: 970 metros
População prevista: 
693 habitantes
Nº de fogos previstos: 330
Espaço público existente: 
6800 m2
Espaço público previsto: 
21.500 m2
Área bruta de construção total: 98.700 m2
Habitação: 44.152 m2
Comércio/Serviços: 15.029 m2
Turismo: 10.880 m2
Estacionamento: 24.387 m2 (dos quais 11.300 m2 em silo)