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Juros da dívida portuguesa são os únicos que desceram na zona euro em setembro

No prazo de referência, a 10 anos, os juros das Obrigações do Tesouro português registaram em setembro a segunda queda mensal mais elevada do ano. Na zona euro foram os únicos títulos com queda mensal dos juros no mercado secundário. Finlândia e Espanha lideraram subidas dos juros na zona euro

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro (OT) português no prazo a 10 anos fecharam esta sexta-feira no mercado secundário em 2,38%, um nível abaixo de 2,4% que já não se observava desde 2 de dezembro de 2015.

Em termos mensais, é a segunda maior queda do ano. Os juros no prazo de referência desceram 44 pontos base durante setembro, apenas abaixo dos 51 pontos base de descida em maio.

Em relação aos juros da dívida italiana a 10 anos, a diferença é, agora, de apenas 20 pontos base; os juros das OT fecharam em 2,38% enquanto os das BTP (designação dos títulos italianos) encerraram em 2,18%.

Na zona euro, foi a única descida mensal de juros que se registou, face a subidas generalizadas, com destaque para os títulos da Finlândia e Espanha.

O mês de setembro acabou por ficar marcado pela graduação do rating da dívida de longo prazo de Portugal para o nível de investimento por parte da Standard & Poor’s. Esta agência acabou por ser a primeira das três grandes a retirar a notação portuguesa do grau especulativo, vulgo ‘lixo financeiro’.

Prémio de risco português encurta distância em relação ao espanhol e italiano

Apesar do desaire eleitoral da grande coligação liderada pela chanceler Angela Merkel nas eleições legislativas federais de domingo passado e da incerteza gerada sobre o posicionamento futuro da Alemanha em relação à maioria dos periféricos do euro, a dívida portuguesa está a ser, por ora, a que melhor resiste a esse novo quadro que surpreendeu na ponta final do mês.

O prémio de risco da dívida portuguesa, que mede o diferencial em relação ao custo de financiamento da dívida alemã, desceu mais de 50 pontos base em setembro, fechando esta sexta-feira nos 191,6 pontos base. Em relação a Espanha, Portugal encurtou a diferença em termos de prémio de risco de mais de 141 pontos base no final de agosto para 75 pontos base no final de setembro. Em relação a Itália, Portugal encurtou a diferença de mais de 80 pontos base para apenas 20 pontos base no mesmo período.

Finlândia e Espanha lideraram as subidas mensais dos juros no prazo a 10 anos com aumentos de 27 e 18 pontos base respetivamente. Os juros dos títulos franceses e gregos subiram 15 pontos base nessa maturidade de referência. Os títulos alemães registaram uma subida mensal de juros de 10 pontos base.

Normalização monetária puxa por juros no Reino Unido e nos EUA

No quadro das economias desenvolvidas, os juros dos títulos britânicos dispararam 34 pontos base e os relativos aos títulos do Tesouro norte-americano subiram 20 pontos base.

A alta dos juros dos títulos britânicos e norte-americanos em setembro respondeu à perceção de que os bancos centrais dos dois países estão empenhados na ‘normalização’ da política monetária.

No caso da Reserva Federal norte-americana, o comité de política monetária deu sinais de ir proceder a uma nova subida das taxas de juro ainda até final deste ano e a probabilidade, segundo os mercados, dessa decisão ser tomada na reunião de 13 de dezembro está em 76,4%, segundo os futuros dessas taxas monitorizados pelo FedWatch do grupo CME.

Em Londres, o governador do Banco de Inglaterra (BoE) tem dado a entender poder iniciar esse percurso. Ainda esta sexta-feira, Mark Carney, o governador, admitiu na BBC que “se a economia continuar no caminho em que tem estado, e todas as indicações vão nesse sentido, poderemos esperar, num prazo relativamente curto, que as taxas de juro aumentem”. A probabilidade de uma subida da taxa diretora do BoE até final do ano situa-se em 81,5%, refere o analista norte-americano Marc Chandler.