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NOS e Vodafone unidas contra a compra da Media Capital pelo MEO

Tiago Miranda

A compra da Media Capital, dona da TVI, pela MEO é “prejudicial” para o sector, o país e a democracia, defendem os líderes da NOS e da Vodafone, e não há remédios que lhe valham. Miguel Almeida sublinha a fragilidade da ERC, o regulador da comunicação social

Os presidentes da Vodafone e da NOS uniram a voz para dizer que se opõe à compra da Media Capital pela MEO, defendendo ambos que são contra a verticalização do negócio das telecomunicações com o dos media, ou seja, a fusão entre empresas destes dois sectores. "A Media Capital ou a Impresa não podem ser integradas de forma vertical em operadores de telecomunicações", sublinhou Miguel Almeida, presidente da NOS.

Ambos mostraram também sinais de desconfiança face à abertura da MEO/PT, agora controlada pela Altice, para partilhar conteúdos. "A Altice tem defendido desde o início que os conteúdos têm de ser diferenciadores, agora vai dizer que os conteúdos devem ser de uso universal. A mim parece-me que a Altice acha que se os conteúdos forem de terceiros devem ser de acesso universal, se forem seus são diferenciadores, não podem ser partilhados", ironizou Mário Vaz. E acrescentou: "Não há como colocar remédios (limitações à empresa que resultar da fusão). É fácil criar vantagens de exclusividade, com o controlo dos conteúdos".

"A resposta (em relação à compra da Media Capital pela MEO) só pode ser não. É prejudicial para o sector, é prejudicial para o país, e para a democracia", afirmou o presidente da Vodafone. E defendeu "a aquisição da Media Capital é instrumental para as telecomunicações da MEO", "e só pode ser por causa dos conteúdos", caso contrário "não se percebe" a oferta de 440 milhões, 11 vezes acima do EBITDA (meios operacionais libertos) da dona da TVI.

Já Miguel Almeida, presidente da NOS, depois de dizer que confia nos reguladores, apontou baterias para a fragilidade da ERC, hoje apenas com três dos cinco elementos que compõe o conselho diretivo. "É preciso unanimidade, mas basta um para que a operação seja aprovada". Miguel Almeida frisou que consideraria uma não oposição da ERC ao negócio, ainda que com remédios, sem eficácia do ponto de vista comportamental.

Cláudia Goya, a presidente da MEO, também presente no debate, preferiu não fazer comentários sobre a operação, lembrando que a compra da Media Capital é um negócio gerido por uma equipa internacional.