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Já há crédito? Continua difícil... respondem empresas num inquérito da AEP

Empresários pedem “reflexão séria” para ultrapassar bloqueios ao financiamento do sector empresarial e esperam um empurão no próximo Orçamento do Estado

Quando querem investir, as empresas continuam a ter dificuldades no acesso ao crédito bancário, indica um inquérito da AEP - Associação Empresarial de Portugal, que pede, agora "uma reflexão séria para ultrapassar este bloqueio" e a abertura no Orçamento de Estado de 2018 a algumas das medidas propostas pela Estrutura de Missão para a Capitalização das Empresas.

"Na verdade, o resultado do inquérito junto das empresas nossas associadas não é uma surpresa porque já decidimos realizar este estudo na sequência de informações que íamos recebendo e que indicavam a existência de problemas", sublinha ao Expresso Paulo Nunes de Almeida, presidente da AEP, sem esquecer que os empréstimos às famílias para "consumo e outros fins" têm mostrado uma aceleração, ao contrário do que acontece nos empréstimos às sociedades não financeiras.

E isto acontece num quadro de aceleração do crescimento económico, descida do défice público, decisão da agência Standard & Poor´s em recolocar Portugal com notação de investimento, mas em que as empresas lusas continuam a enfrentar "no contexto europeu condições de financiamento mais desfavoráveis", refere a AEP num comunicado sobre este tema.

"Quando há concentração da banca, como está a acontecer em Portugal, a redução de crédito é, aliás, um quadro frequente", acrescenta o dirigente associativo, atento ao facto desta dificuldade ser sentida por todas as empresas, incluindo as exportadoras, apesar de se "fazer sentir com maior intensidade nas micro e pequenas empresas".

Na análise do quadro atual, Paulo Nunes de Almeida afirma que a estrutura de capitais das empresas portuguesas, em especial das micro e pequenas empresas, "é debilitada, o que dificulta a análise de risco de crédito e encarece o financiamento, não tanto pelos taxas de juro, mas pelas comissões, custos de serviços e garantias exigidas".

"Comissões e oturos encargos" lideram, aliás, a lista de preocupações das empresas no acesso ao crédito, seguindo-se as "garantias exigidas".

Para financiar a atividade e o investimento, as empresas indicam o autofinanciamento, por recurso a capitais próprios e empréstimos dos sócios, como alternativa principal ao crédito bancário, seguindo-se o crédito de fornecedores e os fundos comunitários. No caso das unidades de maior dimensão, há, ainda, alternativas como o mercado de capitais e o papel comercial.

Sugestões para o OE 2018

Face aos resultados deste inquérito, a direção da AEP considera urgente uma "reflexão que permita ultrapassar o problema do financiamento do sector empresarial privado e não seja uma ameaça ao bom funcionamento da atividade empresarial".

Sobre as medidas a incluir no próximo OE, a associação aponta para as propostas da Estrutura de Missão para a Capitalização das Empresas, o que significa, por exemplo, apoiar o esforço das empresas para melhorarem os seus rácios, repensar o enquadramento fiscal em caso de aumento de capital ou de empréstimos a sócios, criar condições para reduzir a dependência do universo empresarial face à banca ou abrir o mercado de capitais às médias empresas.

"Sem estes passos, a capacidade de investimento e exportação das empresas portuguesas pode ser posta em causa", alerta Paulo Nunes de Almeida.