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Bolsas fecham no vermelho pelo segundo dia consecutivo

Tensão geopolítica e efeito do desaire eleitoral de Merkel continuam a marcar as praças financeiras. Bolsas mundiais perdem 0,35% na terça-feira. Maiores quedas diárias na zona euro e na América Latina. PSI 20 resiste acima da linha de água

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas mundiais fecharam com perdas pelo segundo dia consecutivo. O índice mundial MSCI registou um recuo de 0,35% na terça-feira, depois de uma quebra de 0,39% no dia anterior. Acumula, esta semana, uma perda de 0,74%.

A pressão para o vermelho está a ser alimentada pela conjugação da tensão geopolítica no Pacífico, com a escalada recente da retórica de guerra entre Washington e Pyongyang, com o desaire eleitoral de Angela Merkel nas eleições legislativas federais de domingo, gerando incerteza sobre o desenho do próximo governo que a chanceler vai chefiar.

As regiões mais penalizadas foram na terça-feira a zona euro e a América Latina com perdas similares de 0,85%, segundo os índices MSCI respetivos. Ambas as regiões fecharam no vermelho pelo segundo dia consecutivo.

Apesar do vermelho marcar a zona euro há duas sessões seguidas, com perdas acumuladas de 1,8% durante a semana, a bolsa de Lisboa tem resistido, mantendo-se ligeiramente acima da linha de água. O índice PSI 20 ganhou 0,06% na segunda-feira e 0,07% no dia seguinte.

Ásia Pacífico e emergentes há quatro sessões no vermelho

Os mercados emergentes perderam 0,75%, com uma trajetória negativa que já se prolonga há quatro sessões consecutivas, segundo o índice MSCI respetivo. O índice MSCI para a Ásia Pacífico recuou 0,62%, mantendo-se, também, no vermelho pelo quarto dia seguido. As maiores quedas registaram-se na terça-feira em Taipé (Taiwan) e em Tóquio.

Os Estados Unidos escaparam, por um triz, ao vermelho na sessão de terça-feira, apesar do índice dos gigantes de Wall Street – o Dow Jones 30 - ter fechado abaixo da linha de água, com uma perda ligeira de 0,05%. O índice MSCI para as bolsas dos EUA, abrangendo o NYSE e o Nasdaq (bolsa das tecnológicas), ficou neutro na terça-feira, depois de ter perdido 0,24% no dia anterior.

Fed vai subir taxa de juro até final do ano

Os investidores registaram esta terça-feira as palavras de Janet Yellen, a presidente da Reserva Federal (Fed), dando sinais de uma nova subida da taxa diretora de juro do banco central ainda até final do ano.

Yellen sublinhou que a estratégia da Fed é de normalização “gradual” da política monetária expansionista, mas que recusa um gradualismo excessivo, que levasse o banco central a uma posição de inação à espera que a inflação chegue, finalmente e sustentadamente, à meta dos 2%. A compreensão do que se passa com a inflação, que teima em manter-se em níveis baixos, é, em larga medida, “imperfeita”, disse a economista na conferência anual da National Association for Business Economics, em Cleveland. “Estabilizar a inflação em 2% pode revelar-se mais difícil do que o esperado”, frisou. Mas, isso não travará a Fed de prosseguir a subida dos juros, mais aceleradamente do que fez em 2015 e 2016, e de iniciar, já em outubro, o emagrecimento do seu balanço que soma 4,5 biliões de dólares em ativos.

Segundo dados do monitor FedWatch do grupo CME para o mercado de futuros das taxas de juro da Fed, a probabilidade da decisão de uma nova subida da taxa de juro ser tomada a 13 de dezembro subiu para mais de 81% depois da conferência de Yellen em Cleveland e desceu, depois, para 76,4%, acima de 72,3% registado no dia anterior e claramente distanciado de 38% um mês antes.

  • A moeda única desvalorizou-se esta terça-feira 0,5% e acumula uma queda de 1,4% em relação ao encerramento da semana passada. Continua a sentir-se o efeito da incerteza política trazida pelas eleições alemãs de domingo. Macron não travou essa trajetória e Yellen só a contrariou por uma hora

  • As incertezas sobre o que está a bloquear a subida sustentável da inflação para a meta dos 2% militam a favor de “um ritmo gradual” na normalização da política monetária. Mas, ao mesmo tempo, seria “imprudente” ser “demasiado gradual”, afirmou esta terça-feira a presidente do banco central norte-americano

  • Ásia Pacífico fechou esta terça-feira 'mista' com Tóquio a cair. Europa abriu com perdas nas principais praças financeiras. Na segunda-feira bolsas mundiais perderam 0,4% devido às tensões geopolíticas na Ásia e à incerteza sobre o futuro governo alemão. Euro já desvalorizou 0,9% face ao dólar desde final da semana passada