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Vendas de carros elétricos disparam em Portugal

Fabrice Crevola
 assume a direção-geral da Renault em Portugal no momento em que
 o Zoe, na foto, lidera
 as vendas de elétricos

FOTO José Oliveira

2017 marca a diferença no mercado nacional dos elétricos, que passa a ter um volume anual de vendas relevante

Pela primeira vez num ano (em 2017) serão vendidos mais de mil veículos elétricos (VE) em Portugal no segmento dos ligeiros de passageiros. Até julho, as vendas de VE no mercado nacional ascenderam a 921 carros, mais 129,7% que nos sete primeiros meses de 2016, o que representa um aumento significativo face aos 756 elétricos desta categoria vendidos no ano passado, ou aos 645 vendidos em 2015 e constitui um disparo brutal em relação aos 189 elétricos vendidos em 2014 e aos 166 matriculados em 2013.

O líder de vendas em 2017 está a ser o Renault Zoe, responsável pela comercialização de 437 unidades de janeiro a julho — um aumento de 450,5%, comparando com igual período de 2016 —, o que remete o Nissan Leaf, com 246 unidades, para o segundo lugar do ranking nacional de VE ligeiros de passageiros, depois de ter liderado as vendas de VE em 2016, 2015 e 2014.

Para o diretor-geral da Renault em Portugal, Fabrice Crevola, “o mercado português de VE começa a ter uma expressão significativa, o que mostra que o comprador passou a dar relevância ao modo elétrico, provavelmente porque o nível de autonomia dos carros aumentou, mas a eficiência dos carregamentos de baterias também melhorou, encurtando o tempo de carga”.

Dante Zilli, responsável pela Jeep, diz que todas as marcas participam na mobilidade sustentável

Dante Zilli, responsável pela Jeep, diz que todas as marcas participam na mobilidade sustentável

FOTO Ana Baião

O novo Renault Zoe, com uma “autonomia anunciada de 400 quilómetros, assegura a mobilidade urbana necessária para as deslocações normais de um dia de trabalho, e o seu preço é competitivo face aos valores propostos pela concorrência, o que explica o aumento de procura que teve no mercado português”, comenta o responsável da Renault.

O mercado dos VE começa a amadurecer, dispondo da oferta de carros com maior autonomia e o grupo dos três “mais populares” — que além do Zoe e do Leaf, também inclui o BMW i3 — enfrenta a concorrência do Kia Soul, do Volkswagen Golf, do Hyundai Ioniq, do Mercedes Classe B, e do Volkswagen Up!. A Renault quer alargar a oferta de veículos comerciais, colocando no mercado um furgão Master com motorização elétrica.

Entre os grupos com menor oferta de VE está a Fiat-Chrysler, que recentemente viu a marca Jeep ser integrada na rede portuguesa da Fiat. Dante Zilli, responsável pela Jeep, reconhece que o seu grupo tem uma oferta reduzida nos VE — centrada no pequeno Fiat 500 elétrico, comercializado na Califórnia —, mas garante que estará presente no mercado da mobilidade sustentável. “Temos boas soluções para o serviço car-sharing, com pequenos carros urbanos para os dias da semana e uma oferta de todo o terreno para os fins de semana”, diz. O grupo italo-americano apostou nos motores a gás natural — menos poluentes que os motores a gasolina —, mas esta tecnologia, que é mais barata que a dos VE, não atrai o mercado.

NÚMERO

2319
veículos elétricos ligeiros foram vendidos em Portugal de 2010 até julho de 2017

796
unidades do Nissan Leaf foram vendidas no mercado nacional desde 2010, o que torna este modelo no elétrico mais vendido em oito anos, seguido pelas 663 unidades 
do Renaul Zoe, que poderá ascender ao pódio português das vendas totais de elétricos em 2018