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Crise financeira. Há dez anos, no Reino Unido, foi resgatada a primeira vítima

Getty

A 14 de setembro de 2007 o sexto maior banco britânico teve de recorrer a um financiamento de emergência junto do Banco de Inglaterra. Nas ruas assiste-se a uma corrida às sucursais como já não se via há 141 anos. Era o segundo sinal na Europa da segunda maior crise global em mais de 80 anos

Jorge Nascimento Rodrigues

A 14 de setembro de 2007, o banco britânico Northern Rock (NR), o sexto mais importante do país e líder em crédito hipotecário, confirmou publicamente que pedira um financiamento de emergência junto do Banco de Inglaterra (BoE), o banco central do país. O mercado interbancário britânico secara.

O BoE tentara ser discreto na injeção para evitar o pânico nos clientes do NR, mas a notícia corre rápido nas manchetes. Assiste-se em direto, através dos ecrãs de televisão, a uma corrida ao levantamento de depósitos nas sucursais do banco, como já não se via desde 1866 no Reino Unido. As ações do NR caíram 32% na bolsa de Londres. A retirada de depósitos soma 12,2 mil milhões de libras (cerca de €17 mil milhões) no segundo semestre de 2007, cerca de 40% dos depósitos, segundo o Financial Times (FT).

Em fevereiro de 2008, o banco é nacionalizado “temporariamente” com uma injeção de 1400 milhões de libras (cerca de €1,9 mil milhões). No ano seguinte, o NR é divido em duas entidades, um banco ‘bom’ , que fica com as hipotecas de qualidade e os depósitos, e um banco ‘mau’, onde se amontoa o ‘tóxico’ num montante de 75 mil milhões de libras (mais de €91 mil milhões). O banco ‘bom’ acaba por ser vendido em 2011 à Virgin Money, de Richard Branson, por mil milhões de libras (€1,15 mil milhões). O multimilionário britânico fica com 22 mil milhões de libras (mais de €25 mil milhões) em empréstimos, 16,6 mil milhões de libras (€19 mil milhões) em depósitos e 75 sucursais, sublinha o FT.

O resgate do NR foi o segundo episódio na Europa em 2007 com repercussão internacional que sinalizou o início do que viria a ser a maior crise financeira global desde os anos 30 do século anterior.

O primeiro sinal em solo europeu havia sido dado, a 9 de agosto, quando o banco francês BNP Paribas cancelou três fundos de alto risco especializados em dívida hipotecária norte-americana, que havia sido contaminada pela crise do subprime, uma invenção financeira Made in USA desconhecida, até então, do grande público.

Nos resgates que teria de realizar no ano seguinte, no pico da crise financeira global, o Tesouro britânico viria a adquirir 63% do Royal Bank of Scotland e investiu 17 mil milhões de libras (mais de €21 mil milhões) no HBOS (surgido do Bank of Scotland) e no Lloyds.

Nota: Todas as conversões de libras para euros ao câmbio do mês referido ou do final do ano respetivo.