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Portugal paga juro mais baixo do ano em leilão de dívida a 10 anos

O IGCP pagou esta quarta-feira uma taxa de 2,785% no leilão de dívida da linha de Obrigações do Tesouro a 10 anos. É a taxa de colocação mais baixa nos leilões realizados este ano nesta linha. A procura subiu em relação aos leilões anteriores, mas o Tesouro colocou €850 milhões, abaixo do objetivo máximo pretendido

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal regressou esta quarta-feira de manhã ao mercado obrigacionista colocando €850 milhões num leilão da linha de Obrigações do Tesouro (OT) com prazo a 10 anos.

Nesta operação, a Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) pagou a taxa de colocação de 2,785%, a mais baixa do ano nos leilões desta linha de OT. Aquando do lançamento desta linha, o IGCP pagou, na operação de sindicação, uma taxa de 4,227% e nos três leilões seguintes, em maio, junho e julho, pagou 3,386%, 2,851% e 3,085% respetivamente.

Esta taxa, em obrigações a 10 anos, conseguida hoje, é a mais baixa desde 2015, ano em que as taxas foram historicamente muito baixas em virtude do impacto inicial do programa de compra de dívida pelo Banco Central Europeu (BCE). Em 2015, o Tesouro pagou taxas entre 2% e 2,9% nas duas sindicações que realizou e nos quatro leilões posteriores da nova linha de OT com maturidade em 2025. No ano seguinte, pagou 2,973% na sindicação da nova linha com maturidade em 2026, mas, depois, nos quatro leilões pagou taxas entre 3% e 3,25%.

Rácio mais alto desde 2014

No leilão desta quarta-feira, a procura foi de 2,06 superior à colocação, o rácio mais elevado nos leilões desta linha este ano. É, também, o rácio mais elevado, em leilões de dívida a 10 anos, desde 2014.

No entanto, o IGCP não conseguiu colocar o limite máximo de €1000 milhões que havia fixado, ficando abaixo.

No momento da realização do leilão, os juros (yields) no mercado secundário da linha a 10 anos registavam 2,82%.

"Numa perspetiva global, o apetite por dívida soberana da zona euro, incluindo a portuguesa, permanece alto, até porque se tem percebido a pouca pressa do BCE em alterar a política monetária e o risco político apercebido é, neste momento, baixo, mesmo em vésperas de eleições na Alemanha", refere ao Expresso Filipe Garcia, presidente da Informação de Mercados Financeiros.

Por seu lado, para Filipe Silva, diretor de gestão de ativos do Banco Carregosa, “Portugal está a beneficiar dos bons dados económicos que tem divulgado, da revisão otimista da perspetiva do rating da dívida por parte da Moody’s e de uma grande ajuda por parte das compras do BCE". Segundo uma nota divulgada por aquele banco, a colocação de dívida portuguesa está a beneficiar, também, "da própria folga financeira no financiamento do Estado que, com operações de troca e emissões, tem conseguido alongar a maturidade da dívida portuguesa".

S&P avalia rating português na próxima sexta-feira

A notação da dívida de longo prazo portuguesa volta a ser avaliada na próxima sexta-feira, desta vez por parte da agência Standard & Poor's.

A expetativa dos analistas não aponta para uma graduação do rating de Portugal para o grau de investimento, saindo da classificação de dívida especulativa, vulgo 'lixo financeiro'.

O consenso é que a S&P adopte a mesma decisão que as duas anteriores, a Fitch (em 16 de junho) e a Moody's (em 1 de setembro), de melhorarem a perspetiva (outlook) da dívida de estável para positiva, abrindo a porta para uma graduação no próximo ano.