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Juros fecham em 2,87% em véspera de leilão de dívida a 10 anos

Os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos encerraram em 2,87% esta terça-feira no mercado secundário. Um nível acima da taxa de remuneração mais baixa paga este ano pelo IGCP nos leilões dessa linha de títulos, que amanhã regressa ao mercado

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) das Obrigações do Tesouro (OT) a 10 anos fecharam esta terça-feira em 2,87% no mercado secundário da dívida soberana, seis pontos base acima do encerramento no dia anterior.

Este valor de fecho superior em cinco pontos base ao verificado no final de agosto regista-se na véspera da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) realizar um leilão de dívida a 10 anos pretendendo colocar entre 750 a 1000 milhões de euros. O IGCP regressa amanhã de manhã ao mercado obrigacionista com um leilão da linha de OT que vence em abril de 2027 e que foi lançada em janeiro, servindo de nova referência a 10 anos. Os juros desta OT a 10 anos já fecharam no mercado secundário em 2,723% a 7 de setembro, um mínimo do ano, mas voltaram a uma trajetória de subida.

O nível atual no mercado secundário é superior à taxa de remuneração mais baixa que o IGCP pagou este ano em leilões desta linha de OT. A 14 de junho, o Tesouro pagou 2,851%, o mínimo do ano até agora, pela colocação de €750 milhões. No entanto, aquando do lançamento da linha, através de uma operação de sindicação a 11 de janeiro, pagou 4,227% e nos leilões de 10 de maio e 12 de julho - o último - pagou 3,386% e 3,085% respetivamente.

Nesta linha de OT, a Agência já realizou uma operação de sindicação em janeiro colocando €3 mil milhões e três leilões em maio, junho e julho, emitindo entre um mínimo de €632 milhões no primeiro e um máximo de €750 milhões no segundo.

IGCP quer colocar €1000 milhões

Esta quarta-feira, o IGCP, em vez de realizar dois leilões com prazos distintos, concentra o objetivo de colocação até €1000 milhões no leilão de uma só maturidade, a 10 anos.

De fevereiro a junho, o Tesouro realizou dois leilões por mês, no mesmo dia, em maturidades diferentes com um objetivo de colocar um máximo de €1250 milhões; em julho reduziu em 20% essa meta nos dois leilões em maturidades distintas que lançou no mesmo dia.

Recorde-se que o Banco Central Europeu (BCE) já comprou em 2017 mais de €4,3 mil milhões em OT portuguesas em vários prazos no mercado secundário, mas a partir de abril reduziu as compras mensais.

Em agosto, o volume mensal de aquisições de dívida portuguesa desceu para €414 milhões, o nível mais baixo dos oito primeiros meses deste ano, face a uma média mensal de €636 milhões no primeiro trimestre do ano.

Perda acumulada de €9,3 mil milhões

O BCE reduziu o volume mensal de compras de obrigações dos membros do euro (com exclusão da Grécia, que tem estado fora do programa) desde janeiro, mas Portugal é o país mais penalizado em termos de desvio negativo em relação ao critério da chave de capital (a percentagem de participação no capital do BCE).

Ou seja, o BCE tem comprado muito menos dívida portuguesa no mercado secundário do que aquela que poderia ser adquirida de acordo com o critério referido. Este constrangimento é sublinhado na apresentação a investidores internacionais que o IGCP publicou este mês.

Segundo cálculos do Commerzbank, a perda desde janeiro soma €9,3 mil milhões de euros para Portugal. O segundo mais penalizado é a Eslováquia, com um perda de €6,9 mil milhões no mesmo período. Além de Portugal e Eslováquia, os outros penalizados são a Lituânia, Letónia, Estónia, Chipre, Irlanda, Luxemburgo, Eslovénia e Finlândia, por ordem decrescente de perdas acumuladas. O BCE tem comprado mais do que seria indicado pela chave de capital em quatro casos mais destacados: França, Itália, Alemanha e Espanha.

A penalização nas compras mensais de dívida portuguesa é derivada do facto do valor das OT em carteira no BCE (e no Banco de Portugal), adquiridas ao abrigo do programa SMP (terminado em 2012) e do novo programa lançado em março de 2015, se estar a aproximar do limite legal de 33% do volume total de dívida obrigacionista em stock e por linha de OT, o segundo critério que orienta as aquisições pelo banco central.

  • O IGCP anunciou esta sexta-feira que vai realizar um leilão de dívida a 10 anos no dia 13 de setembro visando a colocação de 750 a 1000 milhões de euros. Os juros nesse prazo estão abaixo de 2,8% no mercado secundário