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Como Troia está a duplicar

foto: troia resort

Antevisão .O projeto de desenvolvimento turístico da península de Troia tem agora como protagonistas a Sonae, o grupo Pestana e a herdeira do império Zara

1. SONAE CAPITAL

43 hectares
No coração do Troia Resort, palco da demolição das famosas torres do antigo empreendimento Torralta, falta construir 946 camas. O projeto turístico da Sonae Capital prevê apartamentos perto da praia e dos aparthotéis, restaurantes e lojas já existentes na marina, onde desembarcam os passageiros do catamarã de Setúbal. À sociedade gestora de fundos Oxy Capital pertencem os 61 quartos e 144 suites residenciais do resort de cinco estrelas Troia Design Hotel, bem como o casino de Troia. A compra destes ativos à Amorim Turismo foi notícia no final de 2014

2. SONAE CAPITAL

78 ha
Esta área virada para a praia acolhe as 90 casas do Troia Resort Village e um conjunto de 96 lotes para moradias com vista para a praia, 
o lago ou o golfe

3. SONAE CAPITAL

101 ha
Junto ao Troia Golf, o projeto de desenvolvimento turístico da Sonae Capital prevê a construção de um novo hotel resort de cinco estrelas até 600 camas virado para a praia

4. SONAE CAPITAL

264 ha
Junto às ruínas romanas de Troia, a Sonae Capital prevê a instalação de um pequeno hotel de charme com 60 camas. Também nesta zona envolvente à Caldeira, a laguna virada para o rio Sado, serão construídas 125 novas moradias, num total de 640 camas

5. GRUPO PESTANA

104 ha
Mesmo em frente ao ferry que transporta os carros vindos de Setúbal, o Pestana Troia Eco-Resort & Residences já construiu cerca de dois terços do máximo de 955 camas previstas. A construção ocupa 5% do terreno, a área verde 45% e a reserva ecológica 50%

6. PROPRIETÁRIOS SOLTROIA

134 ha
Neste loteamento nascido há meio século com vista para o mar e para o rio, existem 1457 fogos entre apartamentos e moradias de segunda habitação. Ainda há lotes à venda nesta urbanização que prevê 3600 camas residenciais e aguarda a aprovação do plano de pormenor pela Câmara Municipal de Grândola

7, 8 e 9 GRUPO ROSP

333 ha
O grupo de Sandra Ortega, herdeira da Zara e considerada a mulher mais rica de Espanha, celebrou o contrato de promessa de compra e venda com a Sonae Capital no final de 2016. Além do novo campo de golfe virado para o Sado, estes terrenos permitem construir mais 3300 novas camas turísticas viradas para o mar. Mas o grupo Rosp planeia edificar menos

Comporta

Vinte quilómetros à frente, há novos empreendimentos turísticos já em construção na aldeia do Carvalhal. É o caso do La Réserve, do grupo francês Térresens, e do hotel Quinta da Comporta, do arquiteto Miguel Câncio Martins. Dez quilómetros depois, o grupo Vanguard Properties, do francês Claude Berda, está prestes a arrancar com as obras do Muda Reserve

Entre hotéis, aparthotéis, aldeamentos e moradias turísticas ou apartamentos e moradias residenciais, o número de camas da península de Troia está a duplicar, com o novo impulso trazido pelos projetos de desenvolvimento turístico do grupo Sonae, do grupo Pestana ou do grupo Rosp de Sandra Ortega, a filha do fundador da Zara, tida como a mulher mais rica de Espanha.

Troia já contava com cerca de 6000 camas quando há precisamente 12 anos, a 8 de setembro de 2005, Belmiro de Azevedo se juntou ao então primeiro-ministro José Sócrates para acionar o famoso detonador que provocaria a implosão dos dois antigos edifícios da Torralta e que marcaria o arranque formal do investimento do grupo Sonae no Troia Resort.

Desde então, o número de camas turísticas e residenciais já superou a barreira dos 9 mil e promete ultrapassar largamente a barreira dos 12 mil com os projetos imobiliários projetados para esta península nos próximos anos.

O Expresso falou com todos os protagonistas para traçar o mapa dos principais projetos de investimento planeados ao longo dos nove quilómetros de estrada deste destino turístico tão próximo de Lisboa (ver foto). Ao todo, são 15 mil as camas permitidas nestes mil hectares rodeados de praias e zonas verdes de reserva natural, dizem as regras do plano de urbanização de Troia, aprovado pela Câmara Municipal de Grândola em 2011, que divide a península em nove unidades operativas de planeamento e gestão (UNOP).

As primeiras quatro UNOP estão na mão da Sonae Capital e do seu projeto Troia Resort, um investimento que ascende a €400 milhões e que se estende por 486 hectares de terreno num total superior a 7 mil camas residenciais e turísticas, incluindo mais de duas mil camas em hotéis, seis centenas de apartamentos e três centenas de moradias.

As vendas de imobiliário estão a crescer. No passado mês de junho foi ultrapassado o marco das 400 unidades vendidas, num valor total superior a €200 milhões, repartido entre clientes portugueses e estrangeiros. Atualmente à venda, estão apartamentos turísticos entre €224 mil e €759 mil, moradias entre €494 mil e €1,5 milhões e lotes a partir de €359 mil.

Os imóveis, que atraem estrelas como José Mourinho, são uma opção de férias, mas também de investimento, já que a Sonae Capital garante uma rentabilidade de 4% durante três anos. Quem comprar um imóvel de €600 mil, por exemplo, pode ganhar €24 mil por ano, gozando 20 semanas de férias na sua casa e entregando-a à exploração turística do Troia Resort nas restantes 32 semanas do ano. O proprietário recebe dinheiro e não tem de se preocupar com nada, já que o imóvel vem mobilado e equipado e o Troia Resort trata do aluguer aos turistas. O facto de o proprietário ter liberdade na escolha dos períodos em que pode usufruir da sua unidade em exploração turística é outra das vantagens destacadas pela Sonae Capital.

Quanto à hotelaria, os hotéis sob gestão da Sonae Capital — Aqualuz e Troia Residence — registaram um aumento dos clientes em 10% até agosto. A marina teve o melhor verão de sempre assim como o Troia Design Hotel, cujo acionista maioritário é a sociedade gestora de fundos de capital de risco Oxy Capital. Este hotel de cinco estrelas perspetiva um fecho de ano extremamente positivo, a crescer dois dígitos, graças ao evento da passagem de ano a anunciar em breve.

O Troia Resort completa dez anos em 2018 e do seu plano de desenvolvimento faltam construir 946 camas em apartamentos na UNOP1, 600 camas no novo hotel na UNOP 3 e outras 700 camas entre o hotel de charme e as 125 moradias previstas para a UNOP4.

Pestana vende tudo

O Pestana Troia Eco Resort já construiu cerca de dois terços do máximo de 955 camas previstas para a UNOP 5 que ocupa mesmo em frente ao ferry que liga Troia a Setúbal. Fruto de um investimento total de €80 milhões, prevê gerar uma receita global na ordem dos €150 milhões.

Pensado para ser desenvolvido em cinco fases ao longo de dez anos, o projeto ficará concretizado em apenas oito anos, dadas as atuais condições do mercado. Este ano está a ser o melhor em termos de vendas. As casas das primeiras quatro fases foram 100% vendidas e a quinta e última fase agora em construção vendeu 50% em apenas seis meses.

Os valores de venda das casas disponíveis começam nos €475 mil, ou em alternativa nos €160 mil, se o investidor optar pelo inovador sistema fracionado que permite, em copropriedade e através de escritura plena, comprar 25% do imóvel mobilado e dele usufruir 15 dias de dois em dois meses. Também restam cinco lotes para construção de moradias exclusivas perto da praia.

Lotes em Soltroia

Ao lado do novo Pestana Troia Eco Resort fica o conjunto de 400 lotes residenciais da urbanização Soltroia, idealizada por um investidor árabe na década de 60. Os lotes que restam são vendidos a €400 mil e as moradias já construídas podem superar os €2 milhões.

Para suster a pressão imobiliária e evitar a construção maciça de apartamentos em altura nos últimos lotes disponíveis da UNOP 6, a associação dos cerca de 1400 proprietários de Soltroia (Aprosol) aguarda agora que a autarquia de Grândola aprove o plano de pormenor e evite a descaracterização desta urbanização que atrai todos os anos conhecidos empresários, políticos, jornalistas, juízes ou generais, incluindo o antigo Presidente da República Ramalho Eanes.

À espera da Zara

Foi no final de 2016 que a Sonae Capital celebrou um contrato de promessa de compra e venda no valor de €50 milhões para que Sandra Ortega, a herdeira da Zara e considerada a mulher mais rica de Espanha, seja a próxima dona das UNOP 7, 8 e 9, através do seu grupo Rosp. O grupo ainda não é proprietário dos terrenos e está a estudar o projeto.

Para os terrenos virados para o rio, está previsto um novo campo de golfe, mas para os terrenos virados para o mar ainda nada está decidido sobre o novo empreendimento turístico contíguo a Soltroia que deverá arrancar em 2018 e abrir portas em 2021. Certo é que este será o empreendimento com menor densidade de construção da península de Troia já que o grupo prevê ocupar apenas uma pequena fração da capacidade de construção permitida pelo plano de pormenor que é de dois hotéis e de 240 moradias, num total superior a três mil novas camas turísticas.

O 25 de Abril salvou Troia

“O que salvou Troia foi o 25 de Abril porque parou os planos de construção e betão da antiga Torralta e manteve Troia hibernada durante décadas até a Sonae arrancar com este projeto mais sustentável e respeitador da natureza”, diz Pedro Filiol de Raimon, gestor da imobiliária local Casa Caso. De facto, o projeto inicial da antiga Torralta previa cerca de 70 mil camas, cinco vezes mais do que o atual projeto para toda a península de Troia. A construção arrancou em 1971, mas o Estado teve de intervir na empresa em dificuldades no final de 1974. Na viragem do século, o grupo Sonae adquiriu os créditos da Torralta e as obras do novo Troia Resort arrancaram em 2005, dando um novo fôlego a este destino de férias. Preocupada está a associação nacional de conservação da natureza Quercus. “Vemos com muita apreensão o retomar do projeto de desenvolvimento turístico de Troia, designadamente a construção de milhares de novas camas na região. Por diversas ocasiões, a Quercus teve oportunidade de alertar para os riscos de uma excessiva ocupação deste território muito sensível do ponto de vista ecológico. Agora, face às informações de que o projeto será retomado com a construção de diversos empreendimentos, a situação terá obviamente tendência a agravar-se”, diz o dirigente Nuno Sequeira. Contra o modelo de desenvolvimento intensivo definido no plano de urbanização 
de Troia aprovado em 2011, 
a associação espera que “o município e os operadores turísticos e imobiliários, passados seis anos, percebam que o caminho para 
um turismo de qualidade 
não é este”, reduzindo significativamente a densidade 
de construção. Já António Figueira Mendes, autarca de Grândola desde 2013, garante que “Troia nunca será nenhum Algarve em termos 
de excesso de construção”.