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Palácios portugueses atraem milionários

O Solar de Vilar no concelho de Viseu ou a Casa Esmeralda em Óbidos (na foto em baixo) fazem parte do portefólio da Tripwix, onde os clientes fizeram este ano reservas médias de €20 mil

FOTOS JOÃO PETELEIRO

A startup Tripwix prevê faturar €3 milhões em 2017 com alojamento local em quintas e casas de luxo

A oferta portuguesa em alojamento local de luxo ganhou peso com a Tripwix, startup que se estreou em setembro de 2016 e no espaço de um ano faturou €1,7 milhões, o equivalente a reservas para 900 noites. Dedicada à gestão de casas privadas para turismo topo de gama, a Tripwix está com o negócio em crescimento acelerado e prevê fechar o ano de 2017 com uma faturação de €3 milhões só em Portugal, que assume um peso de 40% no negócio da startup, que também se estende a Espanha e ao México.

“O mercado de turismo está a crescer e a explodir e o segmento de luxo ainda mais. Portugal tem oferta para este mercado e este perfil de turistas milionários que preferem ter férias com privacidade e uma experiência mais autêntica que não têm num hotel”, faz notar o CEO da Tripwix, Francisco Bessa, que deixou a área financeira para fundar a startup, tendo como sócios Miguel Carvalho, que já operava em turismo de luxo, e Luísa Bruno, curadora de imóveis.

“O valor médio de cada reserva feita em Portugal está acima de €20 mil, tipicamente para ficar uma semana, e cada noite nunca fica abaixo dos €2 mil”, adianta Francisco Bessa, referindo que entre os clientes da Tripwix estão “alguns dos maiores CEO de empresas cotadas no Nasdaq”, e que a base de clientes em Portugal vem sobretudo dos Estados Unidos, norte da Europa ou do Médio Oriente. O país está a ter uma notoriedade crescente também no turismo de luxo, e aqui uma ajuda preciosa vem dos “posts que Madonna tem feito de Portugal no Instagram”.

Surf está a atrair turismo para imóveis de luxo

A oferta da Tripwix em Portugal estende-se a 22 imóveis privados, como grandes quintas do Douro, palácios ou casas de luxo na Beira, Comporta, Alentejo e Algarve, além de Azeitão, Óbidos, Peniche ou Nazaré. “Todas as propriedades são sujeitas a um apertado processo de seleção, com base em padrões muito elevados, e feito por uma curadora de imóveis”, frisa Francisco Bessa.

Ao todo, a Tripwix está a trabalhar com uma base de 95 casas de luxo, contando também com Espanha e México. “O nosso modelo de negócio é exportável e pode ser replicado em outros países, e a opção do México deve-se ao facto de viver lá um dos sócios, Manuel Carvalho”, explica Francisco Bessa.

Em Portugal, uma das maiores motivações para trazer turistas de luxo a casas privadas, segundo o responsável da Tripwix, está a ser o surf, e daí a procura por casas em Peniche ou Nazaré. “Hoje os executivos abaixo dos 45 anos fazem todos surf”, faz notar. “A nível mundial, o golfe é um dos grandes drivers deste tipo de viagens, além do golfe, gastronomia e a parte equestre”.

Além do alojamento, a Tripwix também assegura serviços personalizados de concierge, e que representam 20% do negócio total. “Um chefe para cozinhar em casa ou iates para passeios são os serviços em geral mais procurados. Mas também há muitos pedidos para cavalos e, por exemplo na Comporta, os buggies são muito procurados”. A Tripwix conta com uma equipa de 16 ‘embaixadores’, que em cada destino estão responsáveis por receber pessoalmente os clientes e providenciar os serviços adicionais de que queiram usufruir. Além da sua plataforma própria (www.tripwix.com), a empresa tem ainda a sua oferta de casas disponível “em outros canais emblemáticos de venda online, como Airbnb ou HomeAway”.

“Hoje há uma tendência clara para turismo de luxo em casas particulares, pois estamos a falar de um perfil de pessoas com alto poder de compra que quer privacidade e experiências autênticas nos locais”, salienta Francisco Bessa, referindo que a tendência se verifica do lado da procura, mas também da oferta. “O dono da casa que não a usa todo o ano quer aqui rentabilidade, ou pelo menos uma compensação para aos seus custos de manutenção”. Segundo o líder da Tripwix, “há muitas casas boas em Portugal, e ainda bastantes para juntar ao nosso portefólio, que queremos a curto prazo duplicar”.