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Hotéis contestam futuras taxas turísticas no Porto

Rui Duarte Silva

A criação de taxas que podem chegar a dois euros por noite destinam-se a resolver problemas de habitação e esquecem as melhorias no sector turístico, alega a Associação da Hotelaria de Portugal

A Associação da Hotelaria de Portugal (AHP) está contra a proposta de criação de uma taxa turística já aprovada pela Câmara Municipal do Porto, frisando não concordar "com o caminho que a autarquia pretende seguir ao propor que a verba resultante da taxa turística reverta para a compra de património a disponibilizar para arrendamento aos munícipes".

Foram aprovadas pela autarquia taxas turísticas semelhantes às de Lisboa, que neste caso podem chegar aos dois euros por noite, mas que só entrarão em vigor em 2018. Segundo Rui Moreira, presidente da Cãmara e recandidato nas autárquicas, trata-se de "um valor perfeitamente justificável", ficando o valor final das taxas ao critério de quem ganhar as eleições agendadas para 1 de outubro.

Segundo já foi explicado pela Câmara da cidade, "os proveitos desta taxa serão aplicados em projetos que visam a promoção da habitação para a classe média e média-baixa no centro histórico, por forma a acelerar o repovoamento e travar fenómenos de pressão imobiliária".

Hoteleiros alegam que os fins das taxas nada têm a ver com o turismo

Para os hoteleiros, os fins a que alegadamente se destinam as novas taxas não beneficiam o turismo. “Não podemos estar de acordo com taxas turísticas que se destinem a investimentos que nada tenham a ver com o sector e que no fundo impõem à hotelaria o financiamento de compra de património como instrumento de intervenção no mercado imobiliário ”, defende Raul Martins, presidente da AHP.

“É nosso entendimento que deve haver diálogo entre a Câmara Municipal do Porto e as associações em representação dos hoteleiros e demais parceiros da atividade turística", considera ainda o presidente da associação de hotelaria.

"Reconhecemos que é necessário rever a política urbanística das cidades e o equilíbrio entre o desenvolvimento do turismo, a fixação de habitantes e a captação de investimento imobiliário", nota Raul Martins, sustentando que a criar taxas no Porto, "no mínimo, estas verbas devem ser aplicadas no desenvolvimento e promoção turística dos destinos, contribuindo assim para a melhoria dos espaços frequentados pelos turistas, o que também beneficia diretamente os habitantes".

Apesar de manifestar a sua posição contra o fim a que se destinam as taxas turísticas, a Associação da Hotelaria de Portugal "está no entanto disponível para, em conjunto com a Câmara Municipal do Porto e os seus associados, encontrar soluções e ideias para ajudar a resolver de forma equilibrada os problemas de crescimento do turismo na cidade".