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Investidores não acreditam em nova subida da taxa de juro da Fed este ano

Banco central norte-americano só deverá subir taxa de juro em março do próximo ano, segundo o mercado de futuros. Divulgação esta quarta-feira das atas da reunião da Fed de julho revela divergências sobre trajetória da inflação nos EUA e consenso sobre início próximo da redução dos ativos do banco central

Jorge Nascimento Rodrigues

Segundo o mercado de futuros, a probabilidade da Reserva Federal norte-americana (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidir, ainda este ano, uma nova subida da taxa de juro de referência é inferior à probabilidade de a manter no intervalo atual entre 1% e 1,25%.

Os investidores continuam a fazer deslizar uma nova subida da taxa para o próximo ano, depois da divulgação esta quarta-feira à tarde (hora local) em Washington das atas da reunião da Fed de 25 e 26 de julho.

A probabilidade de uma subida em 25 pontos base (equivalente a 0,25%) da taxa de juro da Fed para o intervalo de 1,25% a 1,5% na reunião de final deste ano, a 13 de dezembro, subiu para 42,5%, mas mantém-se abaixo da probabilidade de 54,4% para a manutenção do intervalo atual, segundo o monitor de probabilidades do grupo CME (Fedwatch tool), pelas 21h40 (hora de Portugal).

Probabilidade de subida dos juros só em março de 2018

Só no final do primeiro trimestre do próximo ano este quadro se altera. A probabilidade de subida só ultrapassa a de manutenção do intervalo atual na reunião de março de 2018. Segundo o monitor, em março, a probabilidade de uma subida em mais 25 pontos base é de 45,2%, enquanto a de manutenção do atual intervalo desce para 41,38%.

A equipa presidida por Janet Yellen procedeu, este ano, a duas subidas da taxa de juro de referência – para o intervalo entre 0,75% e 1%, na reunião de 15 de março, e, depois, para o intervalo entre 1% e 1,25% na reunião de 16 de junho. Os banqueiros centrais têm reafirmado a intenção de proceder a uma nova subida da taxa ainda este ano, finalizando o ano no patamar máximo de 1,5%. Há uma clara divergência entre estas intenções e o 'sentimento' no mercado.

O mercado de futuros pressente hesitação na Fed para uma terceira subida dos juros ainda este ano. As atas da reunião revelaram divergências claras na equipa presidida por Janet Yellen, entre os que optam pela prudência sobre a trajetória da inflação nos EUA – que desceu de 2,2% em abril para 1,6% em junho, tendo subido ligeiramente para 1,7% em julho - e consideram que há enorme “incerteza” sobre a direção da política orçamental da Administração Trump, e os que consideram que as oscilações na taxa de inflação são “transitórias” e que não devem obstar à continuação da subida, ainda este ano, das taxas de juro.

Consenso sobre redução dos ativos

Apesar desta “fissura” sobre a trajetória da inflação e a opção por nova subida da taxa de juro, os banqueiros centrais revelaram que a “maioria” apoia o anúncio do começo da redução de ativos da Fed para “uma próxima reunião”. Esta maioria impediu que a decisão de anúncio da data do início do processo fosse anunciada já em julho.

Os ativos da Fed estabilizaram em 4,5 biliões de dólares, depois de vários programas de quantitative easing desde novembro de 2008 até putubro de 2014, um nível atualmente mais baixo do que o registado para os outros três principais bancos centrais, se convertidas as moedas locais em dólares – 5,1 biliões de dólares para o Banco Popular da China, 4,9 biliões de dólares para o Banco Central Europeu e 4,46 biliões de dólares para o Banco do Japão, segundo o apuramento da Yardeni Research.

A Fed anunciou na reunião de maio passado que "estava pronta" para iniciar a redução do seu portefólio de ativos e detalhou em junho o plano para a realizar, mas sem apontar uma data de início, referindo, apenas, que seria "relativamente em breve". Nas atas, a maioria fala de "uma próxima reunião".

As atas revelaram, ainda, que há diferentes pontos de vista dentro da equipa de Yellen, sobre se a política monetária de taxas de juro ainda baixas e de um elevado portefólio de ativos é uma das causas do atual nível elevado de valorização bolsista. Recorde-se que o múltiplo criado pelo Nobel Robert Shiller não tem parado de subir desde novembro do ano passado, estando acima de 30 desde julho, face a uma média histórica de 16,8. O máximo histórico, registado no final da bolha das dot-com em dezembro de 1999, está em 44,2.

Os analistas aguardam, agora, a intervenção de Yellen na conferência anual de Jackson Hole a 26 de agosto. Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, também, deverá intervir neste simpósio que decorrerá de 24 a 26.

Bolsa de Nova Iorque reduziu ganhos

Na bolsa de Nova Iorque, o impacto das atas da Fed saldou-se esta quarta-feira pela continuação da trajetória de queda que se iniciara na sessão da tarde (hora de Nova Iorque).

O índice Dow Jones 30, depois de ter estado a ganhar 0,2% ao final da sessão da manhã em Nova Iorque, acabou por inverter a trajetória e fechou com um avanço de 0,12% em relação ao dia anterior.

O índice do dólar, em relação a um cabaz de divisas de parceiros comerciais dos EUA, continuou esta quarta-feira a trajetória de queda, que já é superior a 8% desde o final do ano passado.