Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Crise bolsista mundial agravou-se

Bolsas mundiais perderam 1,1% na quinta-feira. Nova Iorque registou a segunda maior queda do ano. Grupo dos emergentes e América Latina sofreram perdas acima de 1%. Lisboa escapou à maré vermelha por um triz. Nova escalada da retórica de guerra no Pacífico. China tomou posição oficiosamente

Jorge Nascimento Rodrigues

Com nova escalada da retórica de guerra nuclear no Pacífico, a bolsa de Nova Iorque registou na quinta-feira o seu segundo pior dia do ano.

O índice MSCI para os Estados Unidos caiu 1,46%. O recorde de perdas continua em 17 de maio, quando o índice perdeu 1,82% (no dia em que o presidente Trump foi acusado de fornecer informação sensível ao embaixador russo em um encontro na Sala Oval).

As descidas mais significativas na sessão de ontem em Nova Iorque registaram-se no índice S&P 500 que caiu 1,45% e no Nasdaq – das tecnológicas – que recuou 2,13%. O índice dos gigantes da bolsa norte-americana, o Dow Jones 30, perdeu 0,93%.

A quebra em Nova Iorque, onde estão as duas mais importantes bolsas do mundo (o New York Stock Exchange e o Nasdaq), empurrou fortemente o índice global para terreno negativo. O índice MSCI para todas as bolsas do mundo recuou na quinta-feira 1,1%, aprofundando as perdas durante a semana. Desde início de agosto, este índice global já perdeu 1,05%.

Os índices para o grupo dos mercados emergentes e para a ‘região’ da América Latina registaram descidas de 1,19% e 1% respetivamente. A queda global na Europa ficou abaixo de 1%, mas as praças de Londres e Madrid lideraram as perdas na ‘região’. O índice FTSE 100 londrino caiu 1,4% e o índice Ibex 35 madrileno ficou próximo desse nível de perdas.

Pânico financeiro dispara

O índice de pânico financeiro – designado tecnicamente por VIX - disparou na quinta-feira em Nova Iorque e na zona euro, com subidas de mais de 44% em relação ao S&P 500 norte-americano e de 26% relativamente ao Eurostoxx 50 (o índice das cinquenta principais cotadas na zona euro). O VIX ligado à bolsa de Nova Iorque subiu de 11,54 na quarta-feira para 16,04 no dia seguinte. A subida diária em termos relativos é a 8ª maior da história do índice norte-americano. No caso da zona euro, o VIX respetivo avançou de 15,02 para 18,91.

Em Lisboa, o PSI 20, conseguiu fechar acima da linha de água, com ganhos de 0,01%, Desde início da semana, o índice perde apenas 0,04%. Lisboa tem escapado à tempestade bolsista e regista ganhos de 4% desde início do mês. Recorde-se que, globalmente, o índice mundial perde 1% desde início de agosto.

China avisa para “erros de cálculo”

Os mercados financeiros estão a ser abalados pela escalada da retórica de guerra nuclear no Pacífico, entre a Casa Branca e Pyongyang. Na quinta-feira subiu, de novo, de tom, com novas declarações do presidente Trump e da Coreia do Norte.

A novidade foi a posição da China, que surgiu oficiosamente num editorial do jornal ‘Global Times’ ao final da noite de quinta-feira (hora da China). O jornal pertence ao grupo de media do 'Diário do Povo', o órgão do Partido Comunista da China.

O editorial chamava a atenção para o perigo do jogo retórico em curso conduzir “a erros de cálculo e a uma ‘guerra’ estratégica”. Beijing alertou oficiosamente que ambas as partes, Washington e Pyongyang, “não querem, de facto, a guerra, mas uma guerra poderá mesmo surgir, dado não terem experiência para controlar este tipo de jogo extremo”.

O editorial explica, ainda, a posição de Pequim: “Se a Coreia do Norte lançar mísseis que ameacem solo norte-americano e os Estados Unidos retaliarem, a China manter-se-á neutral. Se os EUA e a Coreia do Sul desencadearem ataques e tentarem fazer cair o regime norte-coreano, procurando alterar o quadro político na Península coreana, a China impedirá que o façam”.