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Brexit não afastou britânicos do Algarve em 2016

Vilamoura continua a ser um das zonas mais procuradas do chamado ‘triângulo dourado’, 
no Algarve, que inclui ainda a Quinta do Lago e Vale do Lobo

DR

Procura de apartamentos 
em resorts faz disparar preços

Quase metade das casas vendidas no Algarve em 2016, no chamado ‘triângulo dourado’ (Quinta do Lago, Vilamoura e Vale do Lobo), teve como compradores cidadãos do Reino Unido.

O efeito do Brexit, votado pela maioria dos britânicos em junho do ano passado e que dita a saída daquela nação da União Europeia, acabou por não se refletir negativamente nos negócios imobiliários dos ingleses em território luso e, em especial, no Algarve — com particular incidência no segmento da habitação de luxo. Em média, o valor das aquisições de habitação por britânicos rondou os €2,1 milhões, em 2016.

Os dados, avançados em exclusivo ao Expresso pelo banco de dados da revista “Confidencial Imobiliário” (CI), revelam ainda que aquele valor é praticamente o dobro da média das aquisições imobiliárias efetuadas por cidadãos de outras nacionalidades (€1,1 milhões).

“Foi realmente surpreendente, pois a seguir ao anúncio do Brexit, ficou no ar a ‘ameaça’ de que algo poderia começar a correr mal junto de uma franja de compradores que são já históricos no Algarve, sobretudo no segmento habitacional de luxo. Chegou a temer-se uma forte contração no mercado e, na verdade, o pior cenário não se confirmou”, nota Ricardo Guimarães, diretor da “CI”.

As informações a que o Expresso teve acesso constam do Sistema de Estatísticas do Turismo Residencial, lançado no ano passado pela “CI” em parceria com a APR - Associação Portuguesa de Resorts e com o apoio do Turismo de Portugal. Não há dados de 2015 e também ainda não existe informação estatisticamente trabalhada relativa a 2017, mas Ricardo Guimarães tem indicações de várias fontes do sector que vão no sentido de que, “em geral, o Algarve continua a valorizar-se junto dos mercados internacionais”.

O estudo conclui ainda que, na comparação entre semestres, no ano passado acabou por se verificar “uma relativa estabilidade no volume de aquisições de imóveis de turismo residencial por parte de cidadãos não-residentes”. Assim, e segundo a mesma fonte, nos primeiros seis meses de 2016 concentraram-se 53% do total dos registos anuais referenciados no SIR (Turismo Residencial), tendo essa percentagem caído ligeiramente para 47% no segundo semestre. E os ingleses estiveram sempre em maioria nas compras realizadas em ambos os semestres.

Cidadãos de 18 países 
compram no Algarve

De acordo com o banco de dados da “CI”, no ano passado, aquela zona do país foi alvo de aquisições imobiliárias sobretudo por parte de cidadãos africanos, europeus e asiáticos, sendo que o Médio Oriente também teve alguma expressão. No total, houve pessoas de 18 nacionalidades a comprar casas no Algarve, sobretudo nas zonas mais caras e luxuosas.

Ainda no sul do país, mas na região do Barlavento, apesar de o Reino Unido manter a maior quota de mercado, em termos de compra de habitação, ombreia com outras nacionalidades, designadamente a francesa e escandinava, segundo o mais recente relatório da “CI”. Embora por valores consideravelmente mais baixos do que no ‘triângulo dourado’, também aqui o Reino Unido lidera em termos de investimento médio nas aquisições de casas: €350 mil. Só depois surgem os compradores vindos do norte da Europa (€330 mil) e os franceses (com €232 mil).

Estrangeiros pagam, 
em média, €3,8 mil por m2

Curiosamente, apesar dos receios gerados pelo Brexit, não foram os britânicos a quebrar no número de aquisições imobiliárias no Algarve durante o segundo semestre de 2016, mas antes os cidadãos franceses e de outros países do norte da Europa. Os dados da “CI” concluem também que em termos de valor por metro quadrado, as aquisições por estrangeiros mantiveram-se “praticamente no mesmo patamar, situando-se em média em torno dos €3,8 mil, sinalizando que a diferença residiu mais na dimensão do que na gama dos produtos procurados”.

Na análise em valores por metro quadrado, importa ainda referir que no mercado principal do luxo, no Algarve (Vilamoura, Vale do Lobo e Quinta do Lago), os montantes pagos por compradores britânicos até aumentaram depois ‘Brexit’: de €5,1 mil para €5,6 mil por m2, entre o primeiro e o segundo semestre de 2016.

Com tanta procura a recair sobre aquela zona do Algarve começa a escassear a oferta, sobretudo de casas a estrear. Ou seja, há cada vez mais revendas. O estudo da “CI” conclui, aliás, que as revendas já representam 83% da oferta de moradias localizadas em resorts. Por outro lado, 72% da oferta registada tem que ver com lotes de terreno e moradias unifamiliares. No caso dos apartamentos o destaque vai claramente para as tipologias T2 (60%). Se estivermos a falar de moradias, a maior parte das que estão à venda (32) são do tipo T3.

Se nos concentrarmos apenas nos imóveis novos, à venda pela primeira vez, em contexto de resorts, os preços registados pela “CI” em 2016 situaram-se, em média, na casa dos €3 mil por metro quadrado — no caso das moradias. Na gama alta, os preços podem ultrapassar os €4 mil/m2.

Para apartamentos, os preços vão bastante mais acima, podendo atingir valores médios de €4,6 mil/m2, sendo que na chamada ‘gama alta’ é fácil chegar aos €7 mil/m2. Foi, aliás, segundo o estudo da “CI”, no segmento dos apartamentos novos, incluídos em resorts na zona algarvia, que se registaram mais transações durante todo o ano de 2016 — 64% do total dos apartamentos vendidos naquela zona do país.