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Wall Street. Exuberância sobe no verão. Dow Jones em máximos sucessivos

O múltiplo criado pelo Nobel Shiller voltou a subir no início de agosto e está em máximos de mais de 15 anos. O índice Dow Jones 30 da bolsa de Nova Iorque está a subir há nove sessões consecutivas e fixou novos máximos históricos. Praças europeias lideraram ganhos durante a semana

Jorge Nascimento Rodrigues

A temperatura da ‘bolha’ em Wall Street subiu esta semana. O Nobel da Economia Robert Shiller atualizou a base de dados do múltiplo conhecido pela sigla inglesa CAPE para um rácio de 30,49 no início de agosto.

O índice Dow Jones 30 da bolsa de Nova Iorque registou ganhos de 1,2% e fixou novos máximos históricos acima de 22 mil pontos.

Em termos semanais, as bolsas mundiais ganharam 0,38% e as praças europeias lideraram as subidas em termos de grandes “regiões” dos mercados financeiros, com um avanço de 1,26% para o índice MSCI para a zona euro.

Os principais índices das bolsas de Budapeste, Hanói, Milão, Hong Kong e São Paulo lideraram as subidas à escala mundial, com ganhos acima de 2%. O PSI 20, da bolsa de Lisboa, avançou 1,6% durante a semana.

Múltiplo de Shiller em máximo de 15 anos

A exuberância bolsista nos Estados Unidos está a subir sem parar este verão. O indicador mais conhecido sobre a temperatura da ‘bolha’ financeira em Wall Street, o múltiplo criado por Shiller, voltou a subir no início de agosto, segundo a atualização do rácio CAPE, que subiu de 29,37 em maio para 30,49 em agosto.

A sigla CAPE diz respeito à relação entre o preço do índice bolsista S&P 500 e os ganhos obtidos pelas cotadas nos últimos dez anos, corrigidos pela inflação. Em julho galgou o múltiplo 30. O valor do rácio atualizado por Shiller significa que o preço do índice está quase 30,5 vezes acima dos ganhos. Trata-se de um máximo de 15 anos face a uma média histórica de 17 desde 1881 e de 20 desde o final dos anos 60 do século passado. Valores acima de 40 registaram-se aquando do final da ‘bolha’ das dot-com no início de 2000.

Um outro indicador de ‘aquecimento’ de Wall Street relaciona a capitalização bolsista com o Produto Interno Bruto. Neste começo de agosto, a bolsa nova-iorquina vale 1,3 vezes mais do que toda a economia real dos Estados Unidos. Este rácio, preferido pelo investidor Warren Buffett, subiu de 133,6% do PIB no final de julho para um máximo do ano de 133,9% a 1 de agosto. Está, ainda, a alguma distância do pico de 148,6% registado no final da ‘bolha’ das dot-com, então um máximo desde o final de 1970, quando a consultora Wilshire iniciou a série.

Dow Jones acima de 22.000 pontos

O índice dos gigantes cotados em Wall Street, o Dow Jones 30, está a subir há nove sessões consecutivas, tendo fixado novos máximos históricos, pela primeira vez acima de 22 mil pontos, a partir de 2 de agosto. Fechou a semana perto dos 22.100 pontos. O índice fixou novos máximos históricos em oito sessões seguidas.

Os ganhos semanais daquele índice foram de 1,2%, o que contrasta positivamente com o avanço modesto do índice S&P 500, uma subida de apenas 0,19%, e com a quebra de 0,36% no índice Nasdaq (das tecnológicas). Durante a semana, o índice para o sector bancário subiu 2,1%, enquanto os índices para os sectores tecnológicos dos semicondutores e da biotecnologia desceram 1,2% e 1% respetivamente.

Europa lidera ganhos semanais

Em termos de índices MSCI para grandes “regiões” ou agregados, a zona euro liderou com uma subida semanal de 1,26%. O índice pan-europeu subiu 1,2% durante a semana. Como já se referiu, as bolsas da Hungria e de Itália, na União Europeia, destacaram-se com ganhos semanais acima de 2%. O Eurostoxx 50 (que abrange as cinquenta principais cotadas na zona euro) avançou 1,18% nas últimas cinco sessões.

A semana registou um ganho de 0,38% para as bolsas mundiais, segundo o índice MSCI para todos os países. Acima desse nível, ficaram a Europa, acima referida, a “região” da Ásia Pacífico, com uma subida de 0,43%, e o índice para o conjunto dos mercados emergentes, com um avanço de 0,4%. O conjunto das bolsas nova-iorquinas registou um ganho semanal de 0,17%.

O pior desempenho semanal registou-se para o conjunto das economias designadas de “fronteira” (que ainda não foram graduadas para emergentes), cujo índice MSCI caiu 1,8%.

Desde início do ano, os índices para a zona euro e para os mercados emergentes são os que revelam melhor desempenho, com ganhos de 20,2% e 23,8% respetivamente. O PSI 20, de Lisboa, regista uma subida de 12,3% desde final do ano passado. O índice para os EUA, abrangendo as duas bolsas nova-iorquinas, que são as mais importantes do mundo, subiu 10,8% e o principal índice – o Nikkei 225 - da terceira maior bolsa do mundo, a de Tóquio, ganhou 4,4%.