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Chefias ignoram digital

O facto de o investimento no digital não trazer resultados imediatos pode refrear a adaptação

Rute Barbedo

Os desafios trazidos pelo novo contexto digital ainda não são alvo de uma resposta estruturada e o facto de os gestores não acompanharem a inovação poderá condenar as organizações a perder competitividade, concluiu o estudo “The Digital-Savvy C-Suite e Boardroom”, desenvolvido pela consultora Boyden. O relatório examina os desafios mais urgentes que a gestão e as direções em sectores não-tecnológicos enfrentam, partindo de um questionário a 1200 profissionais no mercado norte-americano e também da opinião de especialistas nesta área do conhecimento.

Saúde financeira como obstáculo

Apesar da velocidade dos avanços tecnológicos e da sua implementação em diversos segmentos, nem sempre o investimento na digitalização constitui uma prioridade para algumas organizações, especialmente se enfrentam desafios de viabilidade económica ou de consolidação do negócio, “visto não se tratar de uma estratégia que prometa resultados de retorno a curto prazo”, concluem os autores do estudo.

Olhando para os resultados a partir de Portugal, Luís Melo, responsável pelo sector de tecnologia na consultora, antevê “uma evolução de muitas indústrias, que vão ser condicionadas por aquilo que as possibilidades do digital permitirem”. “Isso vai mudar totalmente o contexto dos negócios e criar novos paradigmas. Na prática, tal significa o crescimento da função de CDO/CTO/CIO [direção do departamento informático/tecnológico] para níveis de importância nunca antes alcançados”, avisa o consultor. No futuro, poderão ser eles a determinar a evolução e a direção do negócio. Ao mesmo tempo, a “redução de headcount [pessoal] nas empresas esperada com a automação, o uso da inteligência artificial e a robotização de várias áreas funcionais”, bem como a forma como a sociedade civil vai reagir a tudo isto, irão marcar os próximos anos da vida empresarial.