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Banca portuguesa corta €6,8 mil milhões de crédito a empresas

Luís Barra

A CGD travou a fundo no crédito às empresas, com uma redução de quase 19% na sua carteira, menos 3,7 mil milhões de euros no espaço de um ano

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A concessão de crédito às empresas portuguesas por parte da banca está mais contida. No final de junho quatro dos maiores bancos a operar em Portugal, nomeadamente a CGD, Novo Banco, BCP e BPI, somavam 64,37 mil milhões de euros de crédito concedido às empresas, menos 6,8 mil milhões de euros do que há um ano, um corte de 9,5%.

As contas já publicadas por aquelas quatro instituições financeiras revelam que a maior contribuição para este corte no crédito empresarial veio da Caixa Geral de Depósitos (CGD). O banco estatal baixou a sua carteira de crédito a empresas de 19,9 mil milhões de euros em junho de 2016 para 16,2 mil milhões em junho último. Uma queda de 3,7 mil milhões, ou 18,6%, em apenas um ano.

Os dados analisados pelo Expresso mostram que o segundo maior contributo para a travagem no crédito a empresas é do Novo Banco, que emagreceu esta rubrica da sua carteira de crédito em 10% no espaço de um ano, com um corte de 2,3 mil milhões de euros (passou de 23,2 mil milhões de euros em junho de 2016 para 20,9 mil milhões agora).

Já o Millennium BCP apresentou na sua operação em Portugal uma descida de 6,5% no crédito a empresas, que emagreceu 1,3 mil milhões de euros, passando de 20,2 mil milhões em junho de 2016 para 18,9 mil milhões atualmente.

Apenas o BPI, entre as quatro entidades, apresenta um reforço do crédito a empresas, que passou de 7,8 mil milhões de euros há um ano para 8,3 mil milhões agora, com um crescimento em termos homólogos de cerca de 7%.

A descida no crédito concedido a empresas espelha uma política mais cautelosa de financiamento do tecido empresarial, depois de vários anos de créditos arriscados que acabaram por, em conjugação com os efeitos da crise económica, levar os bancos ao registo de elevadas perdas por imparidade.

Bancos ainda a limpar o seu balanço

Não obstante a economia nacional estar a recuperar, no primeiro semestre deste ano vários bancos registaram ainda centenas de milhões de euros de imparidades para refletir o risco de poderem não conseguir recuperar todo o crédito concedido.

No caso da CGD, por exemplo, o banco estatal assumiu no primeiro semestre deste ano imparidades de crédito de 25 milhões de euros.

Na sexta-feira o “Jornal de Negócios” e o “Público” revelaram que um dos maiores devedores da CGD, a empresa Artlant (que tem em Sines uma fábrica de matéria-prima para a produção de embalagens de plástico), foi declarado insolvente.

A Artlant devia em 2015 mais de 500 milhões de euros à Caixa. Na sexta-feira o presidente executivo do banco público, Paulo Macedo, assegurou que aquela dívida estava já integralmente coberta por imparidades registadas nas contas da CGD, ou seja, independentemente do futuro da Artlant, a Caixa não terá de assumir mais perdas.

O Novo Banco, por seu turno, contabilizou no primeiro semestre deste ano imparidades para crédito de 258 milhões de euros (menos 8,5% do que no mesmo período do ano passado).

E o BCP registou de janeiro a junho 305 milhões de euros de imparidades ligadas ao crédito (metade do verificado no ano passado).