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Novo Banco reforça aposta na dívida pública portuguesa

Foto José Carlos Carvalho

O banco que vai ficar nas mãos da norte-americana Lone Star aumentou em 35% a sua exposição aos títulos do Estado, que no final de junho ascendiam a 4,4 mil milhões de euros

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O Novo Banco está a reforçar a sua aposta na dívida pública portuguesa. O banco liderado por António Ramalho fechou o primeiro semestre deste ano com 4,39 mil milhões de euros aplicados em títulos do Estado, mais 35% do que tinha há um ano.

A maior parte deste aumento de exposição à dívida pública registou-se já no primeiro semestre de 2017, com um reforço de 848 milhões de euros face ao volume de dívida pública portuguesa na carteira do Novo Banco que se verificava em dezembro de 2016.

Os números constam dos resultados que o Novo Banco divulgou ao mercado esta sexta-feira e mostram que hoje o peso da dívida pública portuguesa é mais significativo do que há um ano. Em junho de 2016 os títulos do Estado representavam 26,7% da carteira do Novo Banco. Agora pesam 36,9%.

A opção do Novo Banco, que foi adquirido pela norte-americana Lone Star (a conclusão do processo está ainda dependente de uma aprovação da Comissão Europeia), tem sido a de trocar outra dívida pública pela portuguesa. A exposição do Novo Banco a dívida pública de outros países baixou de 3,44 mil milhões de euros em junho de 2016 para 2,24 mil milhões em junho de 2017.

Quanto ao peso das obrigações na carteira de títulos do Novo Banco, avançou de 2,57 mil milhões de euros em junho de 2016 para 2,8 mil milhões no final do primeiro semestre deste ano.

A carteira de títulos total do Novo Banco em junho era de 11,9 mil milhões de euros (menos 2,1% que há um ano) e representava 23,7% de todo o ativo da instituição, sendo a principal fonte de ativos elegível para o Novo Banco se poder financiar junto do Banco Central Europeu (BCE).

Prejuízo de 290 milhões no primeiro semestre

Nos resultados apresentados esta sexta-feira o Novo Banco reportou um prejuízo de 290 milhões de euros, com uma melhoria de quase 20% face às perdas de 363 milhões de euros na primeira metade do ano passado.

O produto bancário do Novo Banco recuou 2,2%, para 436,6 milhões de euros, mas o grupo compensou essa queda com uma descida acentuada dos custos operacionais, que baixaram 12,8%, para 265,2 milhões de euros.

Além da melhoria do resultado operacional, o Novo Banco conseguiu também poupar 28% na rubrica de imparidades e provisões, que se cifrou em 413 milhões de euros de janeiro a junho.