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Alexandre Relvas compra mais 90 hectares de vinha

Alexandre Relvas, pai e filho, esperam vender €10 milhões e seis milhões de garrafas em 2017

Luis Barra

Empresário investe na Vidigueira para preparar um novo ciclo de crescimento do seu projeto agrícola

A Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR) acaba de juntar 90 hectares de vinha, na Vidigueira, ao seu projeto agrícola, concentrado, até agora, no Redondo, na Herdade de São Miguel (35 ha) e na Herdade da Pimenta (60 ha). “Queremos atingir um novo patamar de crescimento e temos de estar preparados para isso”, justifica o empresário Alexandre Relvas que nos últimos três anos investiu €4 milhões nas vinhas e na adega e está pronto a aumentar a capacidade de armazenagem e da linha de enchimento, já a trabalhar a dois turnos, no limite da capacidade.

Depois da compra da Vinha dos Pisões, este ano, a CAAR admite plantar mais 40 hectares, entre o Redondo e a Vidigueira, se conseguir direitos de plantação no Alentejo. O objetivo da empresa é “garantir uma autonomia significativa no fornecimento de uvas” e “crescer num sector com margens muito baixas, em que é preciso ter volumes importantes para ser competitivo”, diz Alexandre Relvas.

Para o empresário, copresidente-executivo da Logoplaste, ao lado de Filipe de Botton, o projeto agrícola da CAAR, iniciado em 1998, é, antes de mais “uma paixão” explicada com referências à infância, em Angola, e às ligações dos avós à agricultura. Mas tem de ser, também, um negócio rentável, até porque já tem os filhos Alexandre e António a trabalhar na empresa, onde emprega 50 pessoas.

Na verdade, quando tudo começou, queria ter apenas 100 hectares de sobreiro e mais 10 de vinha. Mas o projeto foi crescendo e, desde 2003, quando pensou em produzir os próprios vinhos, num total de 30 mil garrafas, tornou-se o quinto maior produtor privado de vinhos do Alentejo e um dos três maiores no segmento de rosés. Na oferta combina 50 referências em marcas como a Herdade de São Miguel, Herdade da Pimenta e Cicónia. O best-seller é o Segredos de S. Miguel. Os preços na prateleira variam €2,49 e os €39,99, numa estratégia que aposta “numa boa relação qualidade-preço”.

A crítica internacional tem reconhecido o trabalho feito. A prová-lo, a empresa tem 10 vinhos com 90 pontos ou mais atribuídos pela revista “Wine Enthusiaste” e viu a “Wine Advocate” destacar o Herdade de S. Miguel Reserva 2013. Em abril, no concurso Vinalies Internationales, em Paris, teve o único rosé português premiado com uma medalha de ouro.

Mas mais do que os prémios, o filho do empresário que também se chama Alexandre Relvas e estudou enologia e viticultura em França antes de se juntar ao projeto, em 2006, prefere destacar “a consistência dos vinhos da CAAR”, sublinhando que isso exige opções como a que foi feita este ano: “Depois de uma colheita fraca, no Alentejo, na última vindima, decidimos não fazer alguns dos nossos vinhos topo de gama para manter os níveis de qualidade”, comenta.
Inovar com tradição

Em 2016, a CAAR faturou €8,5 milhões (4,9 milhões de garrafas). Este ano quer chegar aos €10 milhões e 6 milhões de garrafas em 30 mercados, Finlândia incluída, o que significa vender vinho em garrafas de plástico, algumas das quais da Logoplaste, porque o mercado local aprecia esta solução no consumo em piqueniques e barcos e a diferença de peso passa os 250 gramas/unidade.

Na oferta, a empresa tem inovado com soluções como o rótulo que fica azul quando o vinho branco está à temperatura ideal para ser bebido, mas a necessidade de oferecer produtos novos ao consumidor também significa valorizar a identidade e tradições da região. Por isso, a CAAR cruza a tecnologia moderna das suas adegas, onde garante temperaturas constantes a cada uma das fases da produção e faz vinho biológico e até vinho laranja Art.Terra Curtimenta, seguindo as últimas tendências do mercado, com processos ancestrais como o vinho de talha em ânfora de barro.

Na vinha, a casta rainha é a Alicante Bouschet. Na adega, um dos novos projetos é o enoturismo que vai faturar €30 mil este ano e juntar à oferta um lagar de pisa a pé para receber turistas já na próxima vindima.

Quanto à sustentabilidade, na adega da Herdade da Pimenta, há mensagens simples que dizem “Apague a luz. Poupe Energia”, ou “Feche a água. Cada gota conta”. É uma iniciativa no âmbito de um plano coordenado pela Comissão Vitivinícola Regional Alentejana que, no caso da água, já permitiu reduzir o consumo total em 30%, combinando o alerta com outras medidas como a redução do diâmetro das mangueiras ou a reutilização da água de lavagem das cubas.