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Os 10 riscos que ameaçam a economia mundial, segundo o FMI

JIM WATSON/GETTY

Trump, Brexit, bolha de crédito na China e situação da banca na zona euro são alguns dos riscos de médio prazo para os quais o Fundo Monetário Internacional alerta esta segunda-feira no documento de atualização das suas previsões mundiais que divulgou na Malásia

Jorge Nascimento Rodrigues

São 10 os riscos de medio prazo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) aponta como podendo prejudicar o seu cenário principal de uma retoma económica mundial com um crescimento anual de 3,5% ou mais este ano e no próximo. Estes riscos – que denomina de ‘descendentes’ – foram esta segunda-feira de manhã (hora local) apresentados em Kuala Lumpur, capital da Malásia, no documento de atualização das previsões do ‘World Economic Outlook’.

O rol é longo: incertezas sobre Trump e Brexit; bolha de crédito na China; tensões geopolíticas e outros fatores não económicos; orientação da política monetária nas economias desenvolvidas sobretudo nos Estados Unidos (Reserva Federal) e zona euro (Banco Central Europeu) no sentido do seu ‘aperto’; situação do sector bancário da zona euro; recuo da regulação financeira; continuado fraco crescimento da produtividade; desequilíbrios nas contas externas de algumas economias importantes; desigualdade crescente provocada pela globalização, digitalização e um crescimento não inclusivo; e abandono do multilateralismo, nomeadamente com a ascensão do protecionismo e das políticas de soma nula.

As palavras-chave são incerteza, tensões financeiras, geopolítica, protecionismo, desigualdade.

Para além da gravidade de cada um destes riscos, há um problema adicional: “Estes riscos estão interligados e podem reforçar-se mutuamente”, diz-se no documento do Fundo.

Problemas das economias desenvolvidas

No que toca às economias desenvolvidas, o FMI aponta uma série de riscos que podem prejudicar a sua trajetória de crescimento de 1,7% em 2016 para 2% em 2017 e 1,9% em 2018. No caso destas economias, o crescimento abrandou em 2016, depois do produto ter aumentado 2,1% em 2015, e mesmo no último ano de projeções – 2018 – continuará a um ritmo inferior ao de três anos antes.

Na zona euro, mesmo com as revisões em alta feitas agora para as projeções de 2017 e 2018, a trajetória do crescimento é descendente desde 2016, com o crescimento a abrandar de 2% em 2015 para 1,8% naquele ano, uma subida ligeira para 1,9% em 2017, e novo abrandamento para 1,7% no ano seguinte. O crescimento na zona euro continuará abaixo do ritmo de 2015.

O horizonte é, como se vê, de crescimento baixo em termos históricos nas economias desenvolvidas. Maurice Obstfeld, o economista-chefe do FMI que apresentou o documento em Kuala Lumpur, fez uma chamada de atenção: “Um crescimento lento contínuo não só trava a melhoria do padrão de vida, como também gera riscos de exacerbamento das tensões sociais, o que já levou alguns eleitores em direção a políticas económicas mais voltadas para dentro”.

As economias desenvolvidas sofrem de 10 problemas –a incerteza permanece em nível elevado nos Estados Unidos e no Reino Unido; excesso de capacidade produtiva que permanece em diversos casos; envelhecimento populacional; fraco investimento; crescimento lento da produtividade; inflação abaixo da meta de 2% da política monetária; o risco de uma ‘normalização’ da política monetária da Reserva Federal norte-americana mais rápida do que o esperado; resistência a uma subida dos salários; desequilíbrios na balança externa, com casos de excedentes ou défices excessivos; e crescimento não inclusivo, com “estagnação dos rendimentos reais médios e subida da desigualdade ao longo de várias décadas”, como sublinhou Obstfeld.

O documento do FMI chama, ainda, a atenção para dois problemas específicos na zona euro: “Em alguns países do euro, balanços fracos dos bancos e uma perspetiva desfavorável da sua rentabilidade podem interagir com riscos políticos mais elevados e reativar problemas com a estabilidade financeira. Uma subida nas taxas de juro de longo prazo poderá piorar a dinâmica da dívida publica”.

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    A desaceleração da economia mundial desde 2011 terá terminado em 2016 e o crescimento vai subir para 3,5% e 3,6% este ano e no próximo. A zona euro vai crescer mais do que se previa no World Economic Outlook em abril, segundo a atualização de projeções divulgada esta segunda-feira em Kuala Lumpur