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Guerra em Lisboa pelos outdoors publicitários

Concurso que a Câmara abriu para concessionar o mobiliário urbano durante 15 anos está a gerar polémica. Empresa criada seis dias antes da data de entrega das propostas está em primeiro lugar

A guerra estalou no concurso que a Câmara Municipal de Lisboa lançou para concessão, por um prazo de 15 anos, dos painéis digitais publicitários de grande formato, conhecidos na gíria por outdoors. Aprovado pela autarquia a 31 de Janeiro e concluído a 31 de Maio, este concurso - que inclui igualmente o mobiliário urbano publicitário - foi ganho pelas empresas Cartazes & Panoramas I e II, da gestora de investimentos Explorer, constituídas seis dias antes de terminar o prazo para entrega das propostas concorrentes, refere o jornal "Público".

Neste concurso, o lote mais interessante como negócio para os concorrentes é o dos outdoors, em relação ao qual a empresa dreamMedia ofereceu menos 10 mil euros que os 3,16 milhões de euros propostos pela Cartazes & Panoramas II.

No lote destinado à instalação e exploração de mupis, paragens de autocarro e sanitários públicos, a empresa Cartazes & Panoramas I, ofereceu 5,24 milhões de euros, mais 27,8% do que o segundo classificado, a francesa JC Decaux.

O administrador da dreamMedia, Ricardo Bastos, explicou ao Público que nesta fase do concurso a seleção de concorrentes ainda é preliminar, mas considera que se a autarquia escolher definitivamente a proposta da Cartazes & Panoramas II "Lisboa será lesada em 500 mil euros". Ricardo Bastos considera que esta empresa selecionada não cumpriu o caderno de encargos.

O concurso impunha as especificações de 25 painéis digitais de grande formato com dupla face. Acontece que, segundo Ricardo Bastos, o concorrente Cartazes & Panoramas II apresentou equipamentos de uma única face.

A diferença de preços entre os equipamentos de dupla face e os que têm uma única face corresponde a cerca de 500 mil euros, incluindo a substituição deste equipamento a meio do preíodo de concessão, segundo refere o concorrente da dreamMedia.

Além disso, a Cartazes & Panoramas propôs dois modelos diferentes de outdoors, para o centro de Lisboa e para os eixos viários, o que a dreamMedia diz que não é permitido neste concurso.

A Câmara de Lisboa refere que o concurso ainda não está concluído, aceitando reclamações dos concorrentes. O fundo Explorer também é dono de outra empresa que tem ativididade neste mercado, a MOP - Multimédia Outdoors Portugal.

O peso de Lisboa no mercado nacional de outdoors ascende a cerca 50% de todo o investimento publicitário de grande formato realizado em Portugal, tendo sido disputado pelos espanhóis da Cemusa e pelos franceses da JC Decaux.