Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Sana abre complexo turístico sem hotéis

Carlos Silva Neves, administrador dos hotéis Sana, no SUD Lisboa, a nova unidade do grupo junto ao Tejo FOTO tiago miranda

FOTO tiago miranda

Grupo Azinor investiu €16 milhões no SUD Lisboa, reabilitando dois edifícios em Belém à frente do rio

É o primeiro projeto do grupo Sana fora da hotelaria, mas envolveu investimentos tão ou mais pesados que um hotel — €16 milhões — e assenta numa operação turística complexa com 120 pessoas a trabalhar em simultâneo: o SUD Lisboa resulta da reabilitação de edifícios que estavam devolutos na zona Belém (onde funcionaram a discoteca BBC e o restaurante Piazza di Mare), foi oficialmente inaugurado a 11 de julho, e para o grupo Sana representa “um futuro novo a começar na zona ribeirinha de Lisboa”.

Para o próprio grupo Sana, o SUD Lisboa significa uma forma de operar em turismo que sai fora dos padrões da hotelaria convencional. Num conceito para o qual ainda não existe um nome formado, segue a tendência de oferecer experiências turísticas associadas a gastronomia, entretenimento e eventos com “serviço de luxo em ambiente descontraído”.

Funciona em dois espaços distintos, o Sud Lisboa Terrazza (um restaurante com 240 lugares aberto das 8h às 2h da manhã, com música ao vivo e DJ todas as noites, além de ter uma piscina no topo) e o Sud Lisboa Hall (mais virado para eventos particulares ou de empresas, com capacidade para 1500 pessoas). Para ser considerado um complexo turístico só lhe falta mesmo... um hotel.

“Demos este passo de avançar com um negócio novo no turismo, criando espaços alternativos dentro do escopo de um grupo hoteleiro e trabalhando a restauração e eventos de forma totalmente diferente e autonomizada das nossas outras unidades hoteleiras”, salienta Carlos Silva Neves, administrador do grupo Azinor, proprietário dos hotéis Sana. “Hoje as experiências turísticas não se resumem só aos hotéis, que também estão, eles próprios, a evoluir para conceitos mais versáteis. Não tenho dúvida que vamos ter sucesso em Lisboa com esta nova operação.”

Sinergias com o MAAT

A seguir ao MAAT da Fundação EDP, que está mesmo ao lado, o SUD Lisboa representa mais um passo na renovação que está a ter lugar da frente ribeirinha da cidade. “Estamos muito satisfeitos por sermos vizinhos do MAAT. Há uma simbiose natural entre ambos os espaços e pode haver sinergias interessantes a nível de clientes, o que já está a ser objeto de diálogo entre o nosso grupo e a EDP”, adianta o administrador do grupo Sana.

O projeto SUD Lisboa sofreu alguns atrasos e chegou a ter a obra embargada pela câmara de Lisboa por ter a altura acima do limite licenciado. O projeto foi reformulado, abandonando-se a ideia inicial de ter uma estrutura em forma de golfinho ligando os dois edifícios. Segundo Carlos Silva Neves, “a questão foi rapidamente sanada e envolveu pequenas alterações”.

A arquitetura e o design de interiores foram “uma das apostas mais fortes no SUD Lisboa” e que constituiu “uma prioridade ao nível da administração do grupo”, conforme frisa o responsável dos hotéis Sana. Procurando tirar o máximo partido da vista sobre o Tejo, o projeto foi assinado pelos arquitetos Nuno Leónidas e António Pinto, tendo este último desenhado há mais de 20 anos o Alcântara Café.

“Ficou um espaço muito bonito, e Lisboa precisa de projetos inovadores a nível de turismo”, sustenta Carlos Silva Neves. “Fala-se muito da zona ribeirinha, e é criando este tipo de conceitos que podemos devolver à cidade a possibilidade de ser ainda melhor usufruída pelos seus visitantes.”