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Acionista da EDP apresenta queixa na CMVM contra José Gomes Ferreira

Moutinho Cardoso é dono de 3 milhões de ações da EDP e apresentou uma participação criminal por denúncia anónima caluniosa. O investidor já se queixara à CMVM do jornalista José Gomes Ferreira

O investidor António Moutinho Cardoso, acionista com três milhões de ações da EDP, apresentou uma participação criminal por denúncia caluniosa, sob a forma continuada, contra autores de queixas anónimas sobre a EDP, que determinaram a investigação às rendas na energia que conta nove arguidos.

À CMVM, Moutinho Cardoso já tinha apresentado uma queixa contra o jornalista da SIC José Gomes Ferreira por manipulação de mercado. Cardoso acusa Gomes Ferreira de "levantar atoardas e falsidades" que prejudicam uma empresa cotada.

Factos "ofensivos e caluniosos"

De acordo com a participação criminal a que a Lusa teve acesso, "os factos denunciados [por anónimos que assinam como ex-colaboradores da EDP e da REN são ofensivos e caluniosos, pois a EDP não move influências nem delineia estratégias desonestas e ilegais, o que os anónimos denunciantes bem sabem".

"Ao propalar tais factos inverídicos, o (s) desconhecido (s) aqui participado (s) representou (aram) e quis (eram) ofender a credibilidade, o prestígio e a confiança que é devida à EDP", defende, referindo que a intenção era "denegrir o bom nome da instituição".

A participação acrescenta que, "se os denunciantes tivessem a consciência de que os factos imputados correspondiam à verdade, teriam fornecido informação e elementos de prova adequados e colocado o seu depoimento ao serviço da investigação".

EDP perde 7%

Desde o anúncio de investigações do Ministério Público e a constituição de arguidos dos administradores, a EDP perdeu em bolsa 7%- a fortuna de Cardoso encolheu 600 mil euros.

De acordo com o advogado Pedro Marinho Falcão, a participação criminal enviada ao Procurador Geral da República já foi aceite e apensa, em 30 de junho, ao processo principal, que investiga eventuais crimes de corrupção e participação económica em negócio na área da energia.

A primeira denúncia (janeiro de 2012) fala do processo de privatização da EDP, como "uma verdadeira vergonha, um roubo, um acumulado de corrupção liderado pelo senhor António Mexia", pedindo que "haja coragem para uma operação ciclone (depois da operação furacão)". E refere, tal como sucedera na segunda denúncia, "a negociata dos famosos contratos de manutenção do equilíbrio contratual [CMEC], com o apanágio do senhor Manuel Pinho que revestem características de um filme de máfia italiana".

CMVM ao barulho

Moutinho Cardoso já enviara uma queixa formal à CMVM, apontando o dedo em especial a José Gomes Ferreira (SIC). A exposição dizia que "o processo de prolongamento das concessões das Barragens à EDP foi alvo de uma apurada investigação pela Comunidade Europeia que recentemente comunicou não ter havido ajudas do Estado". O jornalista José Gomes Ferreira "levanta atoardas e falsidades que prejudicam uma empresa cotada e objectivamente incorre no crime de manipulação do mercado", acusa Cardoso. O investidor sugeria à CMVM que pedisse informações ao jornalista "para averiguar a veracidade das suas declarações nomeadamente quando diz que o prolongamento da concessão deveria ser de 2000 milhões, como outras informações gravosas". "Isto não é um jogo a feijões, é a credibilidade do próprio Estado português que está em causa" advertia Moutinho.