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Procura-se peritos em café

Preparar 12 bebidas em 15 minutos é um dos desafios do Campeonato de Baristas, que decorre há três anos

D.R.

Ainda não constam na Classificação Portuguesa de Profissões, 
mas os baristas são cada vez mais procurados por lojas especializadas, restaurantes e hotéis

Rute Barbedo

Na segunda-feira é apresentada a Associação Baristas Portugal (ABP), com cerca de 70 associados, para dar resposta, em termos formativos e de representação social, à crescente procura de especialistas na cultura, extração e produção de bebidas à base de café — os baristas. O movimento não é isolado. As marcas La Cimbali e Fiamma, que produzem máquinas de café, estão também a apostar na formação de baristas (esta última está associada à Fábrica do Barista, em Aveiro). Perante o crescimento da atividade turística e as mudanças ao nível do consumo, a presidente da ABP, Inês Mendes, não tem dúvidas de que esta é “uma profissão do futuro”, com elevada taxa de empregabilidade.

Em Portugal, o número de baristas profissionais conta-se ‘pelos dedos das mãos’. Até muito recentemente, a formação tem sido sobretudo conduzida por marcas de café a operar em Portugal e pela Associação Industrial e Comercial do Café (AICC), tendo como porto de chegada as cafetarias tradicionais. Estabelecimentos especializados na bebida e eventos que substituem o cocktail com o toque da ‘sombrinha’ ou da azeitona por uma mistura à base de café são uma realidade emergente e a profissão de barista ainda não consta no catálogo oficial nacional.

Ser barista profissional pode levar três meses a um ano, porque as formações decorrem com “um grande grau de autonomia”. Na AICC, por exemplo, a formação completa ronda os 2000 euros, passando por três níveis — o básico, o intermédio e o profissional. A ABP, por sua vez, vai apostar em ações de formação curtas. “A maioria das pessoas que trabalha nesta área não tem muito tempo disponível nem condições económicas” para um investimento significativo neste plano, justifica Inês Mendes.

Somos bons 
consumidores?

Se em Portugal nos rotulamos como amantes fiéis da bica e do cimbalino, as estatísticas mostram que somos dos consumidores de café menos sequiosos da Europa. Por outro lado, a cultura portuguesa “resume-se ao expresso”, nota Inês Mendes, apontando para a infinidade de bebidas possíveis, desde o capuccino a outras ‘alquimias’ de autor. “As coffee shops, que têm surgido sobretudo em Lisboa e no Porto, são normalmente negócios de estrangeiros ou de pessoas que viveram fora e trouxeram novas formas de beber café”, analisa a presidente da ABP.

Estima-se que, daqui a três anos, a procura do elixir da sociedade da pressa iguale pela primeira vez a oferta. Ao mesmo tempo, a “abertura de mentalidades, pelo facto de as pessoas viajarem mais e conhecerem outras realidades”, como diz Inês Mendes, tem refinado a cultura do café. Segundo a Euromonitor International, em Portugal, o negócio em torno deste grão deverá crescer 1,6% ao ano, em média, até 2021.