Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Buscas expõem lóbi da EDP junto do Governo

Sede da EDP, em Lisboa

luís barra

Material recolhido pelo Ministério Público revela atuação de António Mexia e Eduardo Catroga para defender interesses da elétrica após a privatização

A histórica operação de venda de 21,35% da EDP à China Three Gorges estava quase a ser fechada. A 4 de maio de 2012, uma sexta-feira, escassos dias antes da conclusão do negócio, António Mexia escreve ao então ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira. A EDP queria garantir que a definição de medidas para o sector elétrico correria de acordo com os seus interesses. “Importa agora definir não só a melhor maneira de formalizar a implementação do conjunto de medidas identificadas e constantes da ficha técnica anexa, como também a metodologia para a respetiva divulgação pública”, escreve o presidente executivo da EDP.

Para a EDP era fundamental que as alterações nas regras da garantia de potência e a redução do juro aplicável aos Custos para a Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC) fossem apresentadas em conjunto. “Consideramos ser útil que o Governo e a EDP acordem detalhadamente o programa de comunicação de forma a garantir que há total coordenação nas mensagens a explicitar”, referia ainda António Mexia.

A carta do presidente-executivo da EDP para o ministro da Economia é um de muitos documentos que o Ministério Público apreendeu nas buscas de 2 de junho à EDP, no âmbito da investigação sobre suspeitas de corrupção envolvendo a legislação dos CMEC. Na EDP, além de material informático, foram apreendidos três dossiês no gabinete do administrador João Manso Neto. Pelo meio, sinais da estreita ligação que durante anos a EDP manteve com os decisores políticos. Incluindo uma carta de Eduardo Catroga a Passos Coelho sobre os “aspetos relevantes” da garantia de potência. No gabinete de Mexia não foi encontrado nenhum documento relevante.

Leia mais na edição deste fim de semana