Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Cadilhe sobre Amorim: “Sempre admirei o seu rasgo e espírito de iniciativa”

Num depoimento exclusivo para o Expresso, o ex-ministro Miguel Cadilhe elogia a capacidade de Américo Amorim para “criar valor e atrair sucessos”

Miguel Cadilhe

“Quando se escrever a história económica de Portugal do século XX e inícios de XXI, Américo Amorim figurará nas primeiras páginas dos principais capítulos como um dos nossos maiores líderes empresariais.

Conheci-o por volta do 25 de Abril, na turbulência dos anos 70, tinha ele uns 40 anos repletos de coragem e determinação, não se deixava intimidar, como pude observar atentamente a partir do gabinete de estudos económicos do BPA e dos encontros proporcionados pelo boletim Conjuntura. Depois, sempre admirei o seu rasgo, o seu excepcional sentido de iniciativa, a sua rara capacidade de investir, criar valor e atrair sucessos.

Em meados dos anos 90, na privatização dos bancos Fomento e Borges, disse-lhe que era bem-vindo e ele concorreu, foram três os candidatos, mas o júri do concurso público, num acto que me pareceu muito mal, não abriu a sua proposta nem a de outro concorrente, abriu somente a de um.

Por volta de 2003, convidei-o para debater o dossiê especial ‘investir no Douro’. Eram apenas dois empresários contra uns 30 membros da Agência Portuguesa de Investimento (API), foi no Pinhão, no Fórum de Embaixadores. Não sei se o momento foi decisivo ou foi um complemento para a sua decisão, mas o certo é que o grupo Amorim tem hoje uma boa presença no vale do Douro.

Foi há uma dezena de anos que pude analisar, mais detidamente, o elevado valor tangível e intangível do grupo Amorim. Participei então na avaliação económica do grupo, em toda a sua extensão. Estive do outro lado, o lado de um pequeno accionista, minoritário. O lado maioritário detinha mais de 90% e impusera a compra do restante a fim de atingir os 100%, usando a faculdade prevista no artigo 490º do Código das Sociedades.

Do lado deste sócio dominante, como avaliadores, estavam Ernâni Lopes e um bom punhado de economistas. As duas equipas começaram por acertar métodos e critérios. Depois trabalhámos em independência e natural confronto, mas com todo o respeito pelo grande empresário e pela sua grande obra. Demorámos meses. Embora nos conhecêssemos bem, nunca Américo me falou disto. Chegámos a valores díspares, o do lado minoritário era muito superior ao do lado dominante. Pois imagino que, lá bem no fundo, Américo Amorim sorriu agradado e lisonjeado pela grandeza que, contra ele, atribuímos ao seu grupo.”